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desabafo

Cheguei em Brasília ontem, no vôo errado, mas na hora certa. E hoje já amanheci aqui no MRE, ansiosa por mexer nos arquivos que guardam tantas coisas preciosas pra minha dissertação.

Só que não consegui nada, até agora. Tô aqui há quase 4 horas, e nada. Aparentemente, o que eu preciso fica numa sessão diferente da qual eu tinha pensado – de acordo com as orientações recebidas – e eu ainda preciso de mais formulários e autorizações pra pesquisar.

Burocracia.

E isso só atrasa ainda mais a dissertação e a pesquisa. Falta pouco, mas o que falta é muito importante. E tá tudo aqui, no MRE, (quase) ao meu alcance.

Enquanto isso, a fome aumenta, a bateria do MacBook vai acabando, eu esqueci meu iPod em casa (na casa daqui, pelo menos), e deixei o cartãozinho da academia em Niterói.

Fevereiro, não seja tão cruel comigo assim.

PS:  Pra completar, sonhei que a Malévola tava atrás de mim. Sim, a Malévola da Bela Adormecida, essa mesma. Já é a segunda ou terceira vez que eu sonho que a Malévola tá querendo a minha cabeça. Vai entender.

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pousando no SDU

Eu sempre fico meio bipolar quando chega o dia de pegar o vôo SDU>BSB, e mais bipolar ainda quando tenho que pegar o vôo BSB>SDU. Parece que quando eu tô lá, sinto falta daqui; e, quando tô aqui, um pedaço meu ficou por lá. E, em meio à bipolaridade, a emoção fica em alta, e eu começo a filosofar.

Quando o piloto anunciou “tripulação: preparar para o pouso”, eu parei de ler, tirei os fones de ouvido, e me concentrei na paisagem que começaria a surgir na minha janela.

Avistei o Cristo Redentor, e agradeci por mais uma oportunidade de sair de uma casa (em Brasília) pra chegar em outra (em Niterói). Olhei pra baixo, e lá estava o Maracanã, que será palco de grandiosos espetáculos mundiais nesse ano. Contemplei o Cristo mais um pouco, até que ele e o Pão de Açúcar ocuparam a mesma paisagem dentro da minha janela. Logo depois, avistei a enseada de Botafogo, e o Pão de Açúcar de pertinho, majestoso, lindo – o meu lugar favorito no Rio.

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Dando a volta na Baía de Guanabara, contemplei Niterói. É engraçado ver do alto coisas que fazem parte do meu dia a dia, seja do jeito que for: o Plaza Shopping, o campus da UFF, o Museu de Arte Contemporânea (MAC), a Praia de Icaraí, a minha rua. Logo depois, começa a aparecer, grande, magrinha, enorme, a Ponte Rio-Niterói, que logo depois eu deveria atravessar para, enfim, chegar na minha casa niteroiense.

Outra vez, vi o Cristo; e, outra vez, agradeci por estar ali, por estar viva, por ter saúde (mais ou menos), por ter família, por ter tanta coisa pra amar e pra me fazer feliz nessa vida. Agradeci a Cristo por tantas coisas bonitas, por tantas coisas simples, por tantas coisas maravilhosas que Ele criou. Agradeci a Deus pelas graças derramadas na minha vida.

Agradeci a Deus pela teimosia de sempre querer embarcar e desembarcar no Santos Dumont toda vez que pego um vôo nacional, e agradeci por ser recompensada por uma paisagem linda que se forma na minha janela toda vez que eu volto pra casa, aquecendo o meu coração e me fazendo me sentir mais feliz.

O avião, enfim, pousou.

notícias daqui

fiquei muito tempo sem escrever aqui, né? acontece que essas últimas semanas foram bem loucas. voltei pra Niterói no dia 29/out e tô focada na dissertação, tentando adiantar ao máximo. e, mesmo quando tava em Brasília, tava super focada nesse processo de pesquisa e escrita. além disso, tenho escrito bastante lá no the geek land blog, criado há pouco tempo em parceria com amigos do mestrado.

entre desenvolver a pesquisa sobre a política externa e nuclear do Brasil e buscar pauta pro geek land, tenho aproveitado pra matar a saudade dos meus pais, enquanto já morro de saudade do Felipe. passear com a mamãe é dessas coisas que me fazem muita falta quando tô em Brasília, e eu tô aproveitando muito a companhia dela. a do papai, também, enquanto levamos o Neville (pra quem não sabe, o nome do meu carro é Neville) pra acertar as coisas rotineiras de um carro com quase 10 anos de uso.

eles chegaram a me perguntar se eu não preferia trocar de carro ao invés de consertar o Neville, e eu quase chorei só de pensar nessa possibilidade. ainda não tô preparada pra trocar de carro, eu amo muito o Neville pra trocá-lo agora. sei que a hora vai chegar, mas eu vou me dar pelo menos mais um ano de presente na companhia dele.

além de tudo, continuamos na luta da busca por um diagnóstico – ou, se Deus quiser – pela ausência definitiva de um diagnóstico, em consequência da cura do meu pai. já estamos sem entender direito o que está acontecendo há 3 meses, e eu só peço a Deus que tudo fique bem, de acordo com o plano Dele.

novembro é sempre um mês engraçado, complicado, que merece atenção. é o mês que antecede a mudança de mais um número na contagem dos meus anos de vida, então novembro tá sempre marcado por muita auto-avaliação, introspecção, reflexão. como muitos já sabem, não sou muito ligada nessas comemorações de aniversário, mas gosto de aproveitar a oportunidade pra pensar um pouco mais na minha vida, na maneira como estou agindo, na maneira como estou conduzindo os meus dias na Terra, se estou em paz comigo mesma, se sinto que estou cumprindo a vontade de Deus pra minha vida.

esse ano foi marcado por mudanças significativas, bem como os últimos anos (dá pra pensar em mudanças significativas anuais na minha vida desde, pelo menos, o ano de 2010, senão desde 2007 – mas vamos considerar 2010 como um ano-chave de mudanças). e eu sinto que todas as viradas da minha vida estão ligadas diretamente aos meses de novembro e dezembro. como se não bastasse, tem todo esse clima de festas de final de ano que não me deixa mesmo esquecer que, mais do que outro ano se aproximando do fim, eu fico mais velha, e devo abraçar novas responsabilidades, novos desafios.

as escolhas diárias que eu faço definem o que eu sou a cada ano.

o sono e a preguiça

cá estou eu em Brasília, mais uma vez, para mais alguns dias dedicados à dissertação e ao carinho do meu amorzinho. só que, hoje, mesmo tendo vindo pra biblioteca com toda intenção de estudar e produzir coisas úteis, eu simplesmente não consegui. porque eu tô com muito sono.

eu dormi muito muito muito mal essa noite. não sei o que houve, mas eu acordei várias vezes de noite, e tive pesadelo, e senti calor, e senti frio… enfim, não consegui dormir bem. e acordei morta. morta com farofa. minha cara tá toda amassada, meus olhos estão pequenininhos, e eu não consigo me concentrar em uma só coisa por mais de 5min. ou seja: nada de dissertação por hoje.

enquanto isso, tô ouvindo The 20/20 Experience todo na sequência. eu já tinha ouvido os dois álbuns, mas nunca tinha escutado os dois juntos, seguidos. e, olha, pqp você, Justin. você samba na cara da sociedade com esse seu pop de qualidade.

agora é esperar mais uma hora até que o Felipe possa sair do trabalho pra gente almoçar, e eu acho que ainda vou ter que fazer comida, e, quer dizer, fodeu, porque eu só queria dormir.

tempo que escorre pelas mãos

quando eu vi, já era segunda feira, dia 09 de setembro. essa temporada em Brasília passou rápido demais.

em meio à muitos livros, muito trabalho, e o Felipe muito doente, essas duas semanas voaram, como se o tempo escorresse pelas minhas mãos, sem que eu tivesse o menor controle sobre ele, sem que eu pudesse pedir pra ele que esperasse um pouquinho.

tempo, por favor, me dê mais tempo.

não tenho muito mais tempo para terminar a dissertação; março tá aí, batendo à minha porta, sem mesmo pedir licença, querendo chegar correndo.

ainda falta muito pra acabar a dissertação. e cada vez mais parece que vou demorar mais.

tempo.

cadê o tempo?

muitas horas na biblioteca, que não são tempo perdido, mas tempo produtivo. algumas horas dedicadas aos devaneios, necessários, em meio à energia nuclear e à política externa.

amanhã eu volto pra Niterói, pra encontrar meus pais. amanhã eu volto pra Niterói, pra voltar a ser filha – dessa vez por um mês! – e deixar a pseudo-dona-de-casa descansar um pouquinho. amanhã eu volto pra Niterói, pra deixar de escrever 4689423942 páginas por dia e escrever, sei lá, meia página. amanhã eu volto pra Niterói pra aproveitar(?) um Rock in Rio em dois sábados, pra respirar melhor fora dessa seca, e até sentir um friozin mais intenso. amanhã eu volto pra Niterói pra ficar longe do Felipe um pouquinho ): mas só um pouquin, porque ele vai a um sábado do Rock in Rio comigo \o/ amanhã eu volto pra Niterói pra curtir os meus pais, a comida da Lu, os confortos de estar em casa e ser filha – filha quase mimada, filha que ama, filha que tá dividida entre continuar criança e crescer.

tô crescendo muito em pouco tempo, e querendo ficar criança, indo na direção contrária ao tempo. é por isso que eu peço ao tempo que ele me dê mais tempo – de novo, e sempre.

em Belém!

estou em Belém-PA! cheguei ontem, depois de um vôo BSB-BEL, recepcionada por relâmpagos e chuva nesse cidade quente e úmida. enquanto o meu nariz agradece o intervalo de secura, meu coração fica batento forte esperando logo a hora de voltar pra BSB, nem que seja só mais um pouquinho antes de voltar pra Niterói de novo.

minha pele também já notou a diferença de clima: o que estava mega seco por dá lugar a um avermelhado esquisito, que, se tiver sinais de alergia, já tá sendo combatido pelo antialérgico que eu já tomei.

ah, sim. por que estou aqui? é hora do Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos de Defesa. é aquele tipo de viagem que não tem escapatória, e que a gente aceita que dói menos. tenho que apresentar 2 artigos em 2 simpósios aqui, nessa cidade quente.

o hotel escolhido é okzinho, nada demais, nem nada de menos. o que fudeu tudo é que todas as tomadas no quarto são daquelas de três pinos, padrão novo, e eu não trouxe nenhum adaptador. então tô sugando bateria do MacBook pro iPhone, enquanto carrego a bateria da câmera com um adaptador emprestado de um dos amiguinhos que também está hospedado aqui e foi mais prevenido do que eu. já soube que tem uma Lojas Americanas aqui perto, mas tô com preguiça de ir sozinha comprar. os amiguinhos que também estão nesse hotel querem dormir até meio dia, vê se pode.

falta descobrir o que há de bom pra se fazer nessa cidade, porque é claro que eu não anotei nenhuma das dicas que os conhecidos que já vieram aqui me deram. #leticiafail

tô achando esquisito ver um céu cheio de nuvens depois de ficar mais de uma semana vendo só o azul do céu pelas janelas.

a house becomes a home

a ideia de ter uma casa sempre foi muito distante pra mim. nunca pensei que sairia rápido da casa dos meus pais, e nem tenho necessidade disso. viver com eles é uma bênção e eu ainda quero aproveitar bastante essa convivência.

mas, com a volta do Felipe pro Brasil, mais precisamente pra Brasília, como contei no post anterior, foi preciso assumir uma maturidade que eu não sabia que tinha, e desenvolver habilidades que não imaginava ter em mim. os horários dele de trabalho exigiam que eu o ajudasse – e muito – no processo de ter um lugar para morar.

anteontem ele conseguiu uma folga e nós arrumamos juntos a casa, enquanto os móveis e eletrodomésticos começavam a chegar. ontem, esperei a manhã inteira pela instalação do combo tv a cabo + internet + telefone. hoje, tô o dia inteiro trancafiada em casa, esperando por uma equipe que não vem, que deveria montar o rack.

nem tudo está dando certo de primeira, é claro. a inexperiência acaba nos pregando algumas peças: falta uma peça pra poder instalar a máquina de lavar roupas, o telefone ainda não pode funcionar porque o aparelho comprado é pra uso em ramal e não como telefone central, hoje o dia ficou meio perdido (ok, foi bom pra colocar os estudos em dia e preparar apresentações pra conferência da próxima semana) porque a equipe de montagem (ainda) não chegou, e ainda não descobri um método eficiente de organizar o banheiro – que não tem um gabinete embaixo da pia. tudo isso, é claro, há de se resolver com o tempo, e sem muita demora, mas damos algumas risadas com essas situações.

ontem de tarde fiquei hoooooras escolhendo e comprando itens de casa, desde piso anti-derrapante pro banheiro até mesa de canto pra sala. pouco a pouco, esse apê vai tomando forma de casa, forma de lar.

uma frase do U2 sempre ecoou nos meus ouvidos quando pensava numa vida pós-casa-dos-meus-pais: a house doesn’t make a home. é preciso muito mais do que 4 paredes e um teto pra se ter um lar. e eu sempre tive certeza de que faria o máximo pra ter um lar.

um lar é feito dessas pequenas coisas, dessas pequenas doses de amor que ficam em cada objeto de decoração ou móvel escolhido; são pequenas doses de amor que definem qual será o sofá que abrigará corpos cansados que querem ver um filme na tv, ou qual o pano de prato vai enxugar a louça usada numa refeição simples.

é mais ou menos isso que tô tentando fazer aqui: tô tentando fazer dessa casa um verdadeiro lar pro Felipe, um lugar onde ele possa ficar feliz. um lugar pra onde ele queira voltar, porque se sente bem aqui.

é claro que é cedo pra dizer se esse aqui também será o meu lar – só Deus sabe o dia de amanhã – mas eu tô adorando essa experiência de escolher cada detalhe que transforma esse apto num refúgio aconchegante no meio do cerrado, que transforma esse apto num verdadeiro lar.

falta só mais uma horinha pro meu amor chegar do trabalho… cada carro que estaciona aqui na quadra acelera o meu coração, pensando que pode ser ele, que poderia ser ele. essa espera que aquece o coração é a espera de quem ama.