Arquivo do dia: novembro 11, 2013

Fashion Rio: resumão

Do mesmo jeito que resumi as principais tendências da SPFW, hoje faço uma síntese do que apareceu nas passarelas do Fashion Rio na semana passada. As propostas de moda pro outono/inverno 2014 mostradas na semana de moda do Rio de Janeiro podem ser consideradas renovadoras, depois de algumas temporadas sem muita “revolução” nas passarelas.

Ombros arredondados: segurando mangas mais amplas e redondas, os ombros despencaram nas passarelas da Espaço Fashion, Second Floor, Alessa, Coven, Ausländer e Filhas de Gaia.

ombros arredondados na Coven (foto de Charles Naseh).

Transparências: os tecidos transparentes insistem em aparecer em peças de muitas marcas, como Herchcovitch, Filhas de Gaia, TNG, Ausländer e Victor Dzenk, enfrentando o inverno com bastante força.

transparência na TNG (foto de Charles Naseh).

Prateado: assim como mostrado na SPFW, o prata se confirmou nas passarelas do Rio como a cor metalizada do outono/inverno 2014, mostrado nas passarelas de marcas  como Patrícia Vieira e Sacada.

prateado na Patrícia Vieira (foto de Charles Naseh).

Jeans: a força do jeans no Brasil foi pras passarelas do Fashion Rio, presente em muitas coleções. Na Oh, Boy!, era azul clarinho; na Sacada, escuro e bordado; em jacquard na Second Floor; na TNG, com tons acinzentados; e, no Herchcovitch, além do patchwork, o jeans tem tecido que estimula a circulação.

o jeans escuro e bordado da Sacada (foto de Charles Naseh).

Neoprene: Second Floor, R.Groove, Alessa e Espaço Fashion trouxeram o material esportivo para as passarelas.

neoprene na R.Groove (foto de Charles Naseh)

Saias: nas passarelas da Sacada, Andrea Marques, Coven, Espaço Fashion, Iódice, Herchcovitch, Second Floor, Oh, Boy!, muita variedade nos modelos, tanto nas peças únicas quanto nas saias dos vestidos. Micro, minis, midis (no joelho, ou pouco abaixo dele), longas; com pregas, plissados, godês ou justas com fendas enormes.

saia longa (musa!) com um leve godê na Andrea Marques (foto de Charles Naseh).

Calças amplas e curtas: esse modelo de calça competiu com os modelos skinnies nas passarelas do Fashion Rio, aparecendo em coleções de Andrea Marques, Coca Cola Jeans, Second Floor, Coven, Espaço Fashion, e Oh, Boy!.

calça ampla na Second Floor (foto de Charles Naseh)

Túnicas e tops: acompanhando saias leves de todos os comprimentos, ou calças transparentes, ou bermudas, as túnicas e os tops apareceram em quase todas as coleções, com linhas simples ou mangas arredondadas. De acordo com as passarelas de Sacada, Andrea Marques, Filhas de Gaia, Alessa, e Oh, Boy!, essas peças podem ser em moletons, tricôs, neoprene, veludo, ou tecidos preciosos. 

túnica com transparência na Iódice (foto de Charles Naseh).

E, do mesmo jeito que elegi um desfile favorito na SPFW, teve um desfile em especial que chamou a minha atenção no Fashion Rio: a Oh, Boy! que, com certeza, fez uma das coleções mais comerciais apresentadas nessa edição do Fashion Rio. Misturando o pós-punk com o balé russo, o resultado foi uma coleção jovem que privilegiou as sobreposições, dando sentido às peças mais quentes da estação, como os moletons sofisticados, as jaquetas jeans decoradas, e os jumpers de tricô em cropimento cropped.

foto de Charles Naseh

essas plumas nesse shape me fez lembrar os meus tempos de balé! adorei!

foto de Charles Naseh

foto de Charles Naseh

apaixonada por esse tom de vermelho

foto de Charles Naseh

quero esse look todo! (x

foto de Charles Naseh

jardineira incrivelmente linda!

foto de Charles Naseh

foto de Charles Naseh

desejando esse look inteirinho *.*

Mas, como o Fashion Rio acontece ali ~do outro lado da poça~ e tem no seu line up muitas das marcas que habitam o meu armário, não dá pra não dar menção honrosa pra Espaço Fashion e pra Ausländer.

A Ausländer – que tem roupitchas muito bacanas pra meninos e meninas – fez uma coleção minimalista, marcada pelo preto e branco – vedete de 2013 que continuará forte em 2014 – e estamparia em verde, inspirada por uma experiência futurista. As silhuetas são ajustadas ao corpo, com sobreposições de cortes amplos. Os acessórios tinham correntes grossas, e pedras que poderiam ter vindo de outro planeta.

foto de Charles Naseh

foto de Charles Naseh

foto de Charles Naseh

Já a Espaço Fashion, minha marca queridinha que sobressai no meu armário, inspirou-se nos mais diversos itens da Casa pra compor a coleção da marca jovem. Tomadas, molhos de chaves, e plugs de computadores apareceram na estamparia das peças que, em geral, tinham formas curtas e esportivas, com túnicas, coletes, calças largas, jaquetas, e vestidos midi.

foto de Charles Nasehfoto de Charles Naseh

foto de Charles Naseh

já tô sonhando com essa saia no meu armário!

foto de Charles Naseh

e com essa calça também xD

foto de Charles Naseh

Queria ter dado um pulo lá no Píer Mauá pra conferir tudo de perto, mas o tempo ruim que fez em Niterói e no Rio durante a semana quase inteira, combinado ao trânsito caótico que toma conta da cidade desde o fechamento da Perimetral, tornou essa missão verdadeiramente impossível. Vamos ver se rola pras temporadas de desfile do ano que vem!

eu não entendo uma máquina de it bags

Outro dia tava fazendo a minha habitual ronda em busca de inutilidades pela ~internê~ quando achei a seguinte imagem:

maquinabolsas1

Trata-se de uma vending machine (ou em bom português: maquineta de vendas) recheada de it bags. Essa imagem foi veiculada no instagram da Interview Magazine. Nessa foto, reconheço, entre outros, alguns modelos da Dior, Fendi,  Hermès. Essa imagem me incomodou na mesma hora, e eu percebi que não conseguia entender o sentido por trás disso.

E eu explico o porquê: uma it bag não é uma it bag só porque é bonita ou porque é de uma grife conhecida e reconhecida internacionalmente. Uma it bag envolve um conceito de compra de luxo que, definitivamente, não é traduzido pela vending machine.

Eu adoro a praticidade das vending machines, e acho incrível que estejamos chegando a uma era em que podemos comprar muito mais do que comidinhas e bebidas em máquinas desse tipo. Me lembro com perfeição da primeira vez que vi uma máquina da Best Buy em um aeroporto nos EUA, e como achei a ideia de compra on-the-go de eletrônicos revolucionária. Isso deve fazer uns 3 anos. De lá pra cá, a Benefit Cosmetics, marca queridinha de cosméticos (eu, pelo menos, amo) também instalou vending machines recheadas dos seus produtos de beleza nos aeroportos.

Best Buy Express

Mas uma máquina de vendas de it bags me incomoda e muito. Veja bem, uma vending machine do Best Buy no aeroporto é muito conveniente: uma máquina desse tipo pode resolver problemas de pessoas que esquecem o carregador de smartphone/tablet, ou precisam de um adaptador universal de tomadas, ou esquecem o fone de ouvido, ou o fone de ouvido estragou no meio da espera da conexão (já aconteceu comigo), ou quem simplesmente quer arrematar um iPod shuffle nos últimos minutos de solo americano.

Do mesmo modo, uma máquina que vende itens de beleza no aeroporto pode ser um verdadeiro salva vidas. Quem nunca chegou no destino de uma viagem com uma cara tão esquisita que parece que tinha levado um susto que atire a primeira pedra. Eu tive que aprender muito nessa vida pra levar um ~kit de sobrevivência~ bem editado na bolsa, com itens que podem salvar a aparência depois de longas horas de vôo sem pesar muito a bagagem de mão. Não preciso nem dizer o quanto me faz feliz a ideia de, numa conexão, já comprar, entre outros, o meu primer favorito e o meu corretivo adorado numa maquininha fofa dessas.

A ideia de comprar uma it bag em uma máquina não me convence nem um pouco. Pelo menos por enquanto. Pode ser que, um dia, eu morda a minha língua, e o único jeito de comprar qualquer coisa seja em máquinas desse tipo. Mas, enquanto houver opção, eu prefiro a experiência da compra.

Eu me lembro direitinho da minha primeira it bag, que foi um presente da minha vó há mais de uma década. A Victor Hugo estava no auge aqui no Brasil, e o meu sonho de consumo era uma mochilinha da marca. O modelo icônico que despertava o desejo de uma menina de 10 anos era esse aqui:

o mesmo modelo que mora até hoje no meu armário

Em uma determinada tarde do ano 2000, a minha vó me levou no shopping e me disse que ia me dar de presente a bolsa que eu queria. Eu fiquei super emocionada, achei aquilo o máximo! Entrar na loja com ela, ver a decoração, obervar os diversos modelos expostos, ter um atendimento mega personalizado, ver todas as muitas possibilidades; tudo isso fazia parte de uma experiência de compra luxuosa. Naquele dia, eu ganhei a minha primeira it bag, que uso e guardo até hoje, junto das outras duas bolsas que a minha vó comprou naquele dia (uma pra ela e outra pra minha mãe).

A experiência se repetiu anos depois, em 2010, quando tive coragem suficiente de investir o meu próprio dinheiro em uma Louis Vuitton, aproveitando uma viagem aos EUA. Aos 20 anos, eu já entendia muito mais o conceito de uma compra de luxo do que quando eu tinha 10 anos e ganhei aquela mochila da Victor Hugo. A experiência de compra em torno de uma bolsa grifada é, realmente, diferente de qualquer outra experiência de compra. Naquela ocasião da compra na Louis Vuitton, eu testei diferentes tamanhos da Speedy, um dos modelos mais clássicos da marca, escolhendo com cuidado não só o tamanho mas também qual tipo de monograma eu preferia.

De lá pra cá, investi em outros modelos de bolsas grifadas, levando sempre em consideração a experiência de compra. Depois de decidir que quero investir em um modelo novo, eu passo meses estudando as opções que eu quero e observando as que cabem no meu orçamento; gasto mais um tempão pesquisando a história dos modelos e das marcas; quando já tô na loja, fico mais um bom tempo pesando a decisão. Eu acho que nunca vou esquecer – ou me cansar – da sensação de experimentar bolsas diferentes, em seus diferentes tamanhos, modelos, formas. Quando compro uma bolsa assim, eu considero um verdadeiro investimento, uma peça que eu usarei a vida inteira e que sempre será especial pra mim – e eu não me vejo investindo em uma peça que saia de uma máquina como se fosse um chocolate ou um pacote de biscoitos.

como eu me sinto quando compro um artigo de luxo

É por isso que eu não entendo e não consigo entender essa máquina recheada de it bags. Uma compra em uma máquina desse tipo descaracteriza completamente a experiência da compra de luxo. Eu imagino que, caso chegue o dia em que eu possa comprar uma bolsa da Hermès, por exemplo, eu nunca seria capaz de comprar uma Constance (modelo que chega a custar US$9 mil) através de uma máquina. É algo inconcebível pra mim. Ok, por enquanto é inconcebível que eu gaste essa quantia em uma bolsa, mas eu acredito num futuro melhor, e sonhar não custa nada. E eu sonho com o dia em que eu vou poder ter a experiência de comprar uma Hermès em uma das suas flagships maravilhosas, com tudo o que eu terei direito.

Carrie Bradshaw ❤

É por isso, também, que eu não entendo a compra de réplicas de marcas luxuosas. Do mesmo modo que as maquinetas, não faz o menor sentido pra mim. Eu acho preferível gastar o dinheiro em uma bolsa bacana de marcas como Schutz, Arezzo, Santa Lolla, e tantas outras, do que usar a mesma quantia pra comprar uma réplica. E ainda dá pra parcelar, gente. Uma vez eu li em algum lugar que, muito pior do que usar uma bolsa falsificada, é tentar ser uma imitação de você mesma.

réplicas

Pra mim, com a compra de uma bolsa de luxo, vem a história da marca junto. É como se eu agregasse valor trouxesse aquela história pro meu armário junto daquela bolsa sonhada, batalhada, planejada e, enfim, comprada. Todas as vezes foi assim, e eu quero que seja sempre assim. Pra mim, comprar uma bolsa de luxo não é a mesma coisa que comprar um Doritos.