sobre sinusite e frustrações

Eu não me considero uma pessoa extremamente saudável, mas também não sou doente sempre. Acho que sou só uma herdeira das doenças respiratórias do meu pai que, não satisfeita em herdá-las, acabei ~aperfeiçoando~ a sinusite, a rinite, a asma, e todas as muitas alergias. Pai, te amo muito, mas eu preferia não ter herdado essas características tão marcantes. Na verdade, eu queria só a sua inteligência, tava de bom tamanho já.

Enfim. Nessa última semana, tive uma crise como não tinha há, sei lá, uns 5 anos. Acho que desde que operei pra tirar o desvio de septo e limpar os cornetos, aos 18, não tinha uma crise assim. Foi crise de não agüentar esperar o meu otorrino, que não por acaso é meu primo, e que me conhece bem o suficiente pra receitar tudo o que eu preciso por telefone, poder me atender depois de um dia de centro cirúrgico.

Quarta feira eu tava tão ruim mas tão ruim que fui numa clínica que atende emergências aqui em Niterói, meio perto de casa, rezando pra encontrar algum otorrino que não fosse muito louco, nem muito são, mas apenas acertasse o suficiente nos medicamentos pra me dar um alívio. Por sorte, foi isso mesmo que aconteceu!

A médica bacana que me atendeu diagnosticou como uma forte crise de sinusite, e me deu uns remédios que fazem efeito.

Mas, porra, voltei pra casa com uma receita com 6 remédios diferentes – 5 dos quais eu nunca tinha usado na vida. E, cara, eu sou escolada nesse negócio de remédio pras vias respiratórias. Fora esses 6 da receita, eu ainda continuei usando mais 2 que já fazem parte da minha rotina, pra garantir que eu conseguiria respirar um tiquinho que fosse.

Eu detesto a sensação de não respirar. É horrível. E eu fico tossindo porque não respiro direito e resseca a garganta, e eu sou ruim de beber água, e eu fico cansada demais.

Na quinta a noite, mesmo fazendo uso de um tanto de remédio assim, e de um tanto de remédio que dá sono – porque, imagina, esses remédios já dão sono sozinhos, imagina misturados num McMenu combinado de drogas? Fico chapada fácil fácil -, e eu não conseguia dormir porque não conseguia respirar. Naquele dia eu cheguei num desespero tal que, depois de quase 2h tentando buscar o ar sem conseguir, eu comecei a chorar. Ok, eu sou chorona mesmo, mas você já ficou sem respirar? Você sabe o que é não conseguir sentir o ar chegando aos seus pulmões?

Cara. É foda.

As frustrações foram começando por aí. Com tanto remédio, eu simplesmente não consigo raciocinar direito. Eu fico chapada num grau que, pra escrever uma frase com sentido, eu demoro mais de 10min, e tenho que reler umas 3 vezes pra ver se tá ok (eu nem sei quanto tempo mais eu tô demorando pra escrever essas linhas aqui, e também tô ficando com preguiça de revisar – afinal, quem lê isso aqui mesmo?). Tentei umas 5x continuar a escrever o artigo que tá pertinho do deadline, mas cadê que eu consigo? Salvei tudo o que escrevi no melhor estilo a esperança é a última que morre.

Afinal, tanto artista bom que escreve músicas incríveis quando tá drogado – vai que eu escrevi alguma coisa que preste sob efeito de corticoides, cortisonas e afins? Tô tão louca nesse nível, querendo comparar assim as minhas drogas de farmácia/drogaria.

E, porque não agüento fazer muita coisa, passo quase o dia todo vendo tv ou dormindo mesmo. Ontem eu fui dormir 9 da noite, chapada de sono como se tivesse chegado de uma noitada as 5 da manhã. 9 da noite de um sábado, e eu estava DORMINDO. Eu tenho 23 anos? Ou tenho 93?

Tento ler um livro ou outro, e até comprei umas versões novas de ebooks, pra evitar o contato com papel que sempre guarda uma poeirinha safada que atrapalha ainda mais a recuperação. Mas, olha, já bati com o iPad mini tantas vezes na cara tentando ler, que não sei como não tô com um galo enorme na cabeça. Ainda bem que é o mini, se fosse o grande mesmo, porra, já era.

Ontem tava com tanta falta de ar que apelei pro Aerolin – a famosa bombinha pra asma. E hoje, pra completar, acordei menstruada, com mega dor (ai, cólica, por que não me largas?), e ainda tive que mandar o tylenol pra dentro.

E aí veio outra senhora frustração: mesmo sem me preparar adequadamente – como fazê-lo durante o mestrado? Não dá não, eu não sou de ferro – hoje eu deveria estar lá no Centro do Rio fazendo a primeira fase do CACD.

CARA, EU TO FRUSTRADA NUM GRAU QUE NINGUÉM CALCULA.

Porque, assim, de todo modo, é menos um ano na minha conta de anos que tenho pra passar pro IRBr. Mesmo que fosse ínfima a minha chance de, numa prova hoje, me dar , eu sei que essa chance existia – se eu estivesse bem de saúde, conseguindo discernir direitinho o a do b. Mas, não, é claro que eu tinha que estar toda fodida tomando 10 remédios (acho que são 10 né? Ou eu perdi a conta?), com cólica, sem respirar direito, e ainda por cima parecendo uma velhinha que só quer cama e cobertor e chá quentinho.

Essa prova, que já não seria nada fácil pra mim em condições normais, ainda é um desafio maior pela minha ansiedade sempre alta e pela minha dificuldade patológica em fazer provas. Perder um ano na conta – ainda que um ano só de experiência mesmo, ainda que um ano sem grandes expectativas – é foda. Tô frustrada, tô frustrada mesmo. Mas tenho que lidar com a frustração né – não tem jeito.

Eu sei que existe muita coisa muito pior do que isso tudo acontecendo com pessoas que sofrem muito mais do que eu. Graças a Deus, eu tenho pai e mãe que cuidam de mim, compram remédios, fazem de um tudo pra que eu fique melhor. Mas essas doenças respiratórias que não tem cura, que dão crise a hora que bem entendem, sem se preocupar se vão atrapalhar o meu cronograma ou não, são muito muito chatas.

Ai, Deus, dai-me forças pra aceitar essas coisas… e também multiplica o tempo pra ver se eu dou conta de tudo que tem pra fazer? Sei que tô pedindo muito mas, Papai do Céu, Você sabe como é, eu preciso acabar esse mestrado e virar gente.

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