tre anni senza lei

Hoje faz três anos que você me deixou, Mivó. Três anos que eu não sinto mais as suas mãos carinhosas passarem pelos meus cabelos, três anos que eu não vejo o seu olhar profundo, três anos que não passo um dia sem saudade de você.

Essa saudade não passa, vó. Eu pensava que, com o passar dos anos, com o passar do tempo, fosse ficar menos difícil viver sem você por perto, mas a verdade é que essa saudade dói muito. É como se me faltasse um braço, uma perna; é como se faltasse um pedaço físico de mim – ou vários pedaços de mim.

De vez em quando, alguma coisa acontece que faz tudo parecer ainda mais difícil. Mês passado, Mivó, teve um domingo que foi difícil, que me fez chorar muito muito com saudade de você. Naquele domingo, o Milton Nascimento apareceu na tevê, e foi ele começar a cantar pra que eu começasse a chorar de saudade de você. Fiquei lembrando dos shows que nós íamos, do tanto que você me ensinou sobre música, do tanto que você me ensinou sobre tudo. Mais tarde, de noitinha, o Leonardo, aquele da dupla que eu tanto gostava quando era pequenininha, também apareceu na tevê. Teve uma retrospectiva e tudo, porque era aniversário dele, e algumas imagens dele com o Leandro, bem da época que eu gostava de ouvir aquele LP deles até arranhar o disco, foram mostradas. Também chorei um tantinho de saudade daquela época, quando eu era pequena, quando eu não sabia o que vinha pela frente, quando eu ainda tinha uma vida toda pela frente com você perto de mim.

No mais, as coisas  continuam se ajeitando, como se um quebra cabeças muito difícil estivesse se montando. Acabei as disciplinas do mestrado, e agora tô escrevendo a dissertação, em meio a alguns artigos. Você acredita, vó, que eu fui até pra Belém apresentar dois artigos em um congresso? Fui tão elogiada! Parecia até que eu sabia alguma coisa, quando eu ainda sei tão pouco, quando eu ainda tenho tanto pra aprender. Enquanto estava lá, tive um tempinho pra conhecer algumas coisas da cidade, e a minha primeira parada foi a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Mivó, que Igreja maravilhosa! Que lugar abençoado! Fiz uma prece pedindo força a Deus, força pra seguir em frente, pedindo a Maria que me pegue no colo como Mãe quando eu estou prestes a cair. As lágrimas rolaram de uma forma que eu não soube explicar, de um jeito que não deu pra conter. Eu não consigo descrever o que eu senti; só sei que foi um momento de fé.

O mestrado me exige muito, é claro, mas tô aguentando firme e seguindo em frente. De vez em quando uma crise alérgica, ou de sinusite, acaba me fazendo atrasar o cronograma, mas tô me esforçando pra acabar tudo em tempo.

O Botafogo continua daquele jeito que você sabe: começou muito bem o campeonato brasileiro mas, na hora de garantir o título, tá deixando escorrer pelas mãos. Ontem mesmo teve jogo, que deixou empatar por besteira, por descuido. Esse time, essa herança gloriosa que você me deixou, continua fazendo o meu coração bater mais forte.

Nesse ano, vó, eu voltei a usar aparelho, dei crise porque estava usando aparelho de novo, e tirei o aparelho. Você sabe o quanto eu sofri da outra vez, né? Quando fiz o tratamento por quase 6 anos? Pois é. Precisava ter ficado um pouco mais em tratamento pra corrigir imperfeições que surgiram ao longo dos anos, mas eu não aguentei. Prefiro meus dentes meio apinhados, do que aqueles ferros ainda mais tempo comigo. Parece que vou usar uma contenção móvel por algum tempo – o que é menos pior, eu acho.

Eu tirei a carteira de motorista, Mivó! A mamãe me deu até um carro no ano passado, logo na semana seguinte que recebi a habilitação. O nome dele é Neville Longbottom, e ele é muito bacana. Vou com ele pro Rio, vou com ele por aí; já fui até dirigindo pra Búzios com ele!

Ah, é, vó. Eu tive coragem de voltar a Búzios nesse ano, com o Felipe. Logo depois do Carnaval, depois das nossas aventuras na Marquês de Sapucaí, fomos passar uns dias naquele lugar que você tanto gostava.  Não sabia se ia aguentar, mas o Felipe me ajuda a ficar mais forte, e ele gostou muito de lá. Não ficamos nos Gravatás, mas fomos a Geribá. A saudade que eu sinto de você, a saudade que Búzios me faz sentir de você, já não me impede de ir lá – desde que tenha a companhia certa, desde que não me agrida a ponto de chorar de tristeza por você não estar mais aqui pra ir pra lá com a gente.

O Felipe continua sendo um companheirão, Mivó. Eu não consigo não pensar no quanto você gostaria dele se o tivesse conhecido! No ano passado, fui passar o Natal e o Réveillon com ele lá no Zimbábue. Nesse ano, ele tirou férias e nós fomos para a Califórnia e para Las Vegas juntos. E agora, no mês passado, ele voltou pro Brasil! Fui pra Brasília ajudá-lo a escolher e a montar o apartamento onde ele tá morando, e logo já vou pra lá vê-lo outra vez. Agora estamos tão perto! Aqui ele trabalha mais e ganha menos, mas é tão bom saber que ele não tá mais lá na África, não tá mais tão distante, não tá mais num fuso horário diferente! A gente se diverte muito quando tá junto, vó. Ele me faz muito feliz! Eu me sinto mais completa quando tô com ele.

Papai e mamãe continuam me dando o apoio de sempre, me ajudando a seguir em frente. Mandam eu viajar, mandam eu passear, vão comigo ao cinema e ao teatro. Você acredita que até tô conseguindo levar o papai pra passear no Rio? Pois é! Tá, ele vai menos do que a mamãe vai comigo, vira e mexe não quer ir passear em shopping com a gente, mas até que tá menos resistente. Acho que a gente ainda tá descobrindo um jeito de viver sem você, de reorganizar a nossa vida pra tentar sentir menos dor quando o assunto é essa falta que você nos faz.

Mas se tem uma coisa que não mudou nesses 3 anos, Mivó, foi a vontade de ter você do meu lado. Você me faz uma falta que não tem explicação, não tem comparação, e não tem nada que possa curar e/ou substituir. Não consigo esquecer a sua presença forte, a sua força, os seus ensinamentos sobre companheirismo, lealdade, amor e amizade. Consigo sentir até agora os seus afagos e os seus abraços, com a força de quem muito ama e de quem muito sente saudade.

Encontro conforto pra essa falta que você me faz quando rezo a Deus e consigo sentir, no meu coração, o amparo e a proteção divina.

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