Arquivo do mês: agosto 2013

reflexões na biblioteca

pois é, estou em Brasília, de novo. na última sexta fui pra SP ver os amigos que por lá estavam, Felipe me encontrou lá, e no domingo cedo viemos juntos pra cá. bem assim, desse jeito de quem começa a construir uma vida junto, de quem tenta conjugar duas vidas separadas por alguns quilômetros em uma casa no meio do cerrado.

já é o terceiro dia que venho pra biblioteca do MRE e fico estudando, escrevendo, estudando, escrevendo, e estudando mais um pouco. agora que acho que acabei um artigo, cujo deadline é na sexta, Ave Maria, resolvi rabiscar algumas linhas aqui, influenciada por uns textos que li, encontrados numa escapadela sem vergonha ao news feed do facebook. romantismo, sensibilidade, tá tudo junto aflorando por aqui. e dissertação que é bom, ó, nada. mentira, já tá adiantadinho já.

Felipe tá ruinzin desde que chegamos de SP, e tá achando que a amigdalite atacou. finalmente concordou em procurar um médico hoje, mas só depois de cumprir todas as atividades antes previstas. homem teimoso. meu amor teimoso.

vem, senta na minha cama, me acorda de surpresa, com seus roncos, com seus medos, com seus sustos, com você levantando de repente e puxando a coberta porque tá na hora de tomar um remédio. deixa eu tirar cada vez mais esse seu medo de aproximação. deixa eu cuidar de você, deixa eu te fazer um cafuné. entende que eu quero te dar carinho, que eu quero cuidar de você. deixa eu mudar as suas coisas de lugar, deixa eu deixar tudo do jeito que eu quero, que é pra você pedir desculpas depois que eu disser que você bagunçou tudo e só me deu mais trabalho. deixa eu te mostrar que, quando você vivia sozinho, você não tinha que aguentar essa incerteza toda, mas que, agora, tudo pode ficar muito mais divertido nessa casa meio dividida pra dois. deixa eu te perguntar se você acha que eu devo usar as calças azuis com um cinto ou sem um cinto, a blusa pra dentro das calças ou pra fora. deixa eu demorar me arrumando, atrapalhar seu cronograma, só pra ouvir “já, amor?” toda vez que eu digo que tô pronta depois de mais de meia hora. deixa eu acordar mais cedo pra me arrumar e sair no horário, mas não sem antes fazer o seu café e lavar a louça que você insiste em deixar pra depois. deixa eu te fazer companhia naquele sofá de três lugares que acomoda nós dois tão bem. deixa eu puxar o cobertor pequenininho que cobre nós dois quando esfria um pouquinho. deixa eu pegar água ou cerveja pra você, comprar um vinho pra gente beber junto enquanto vê tevê. deixa eu fazer um sanduíche pra você, enquanto eu reclamo que você tinha que comer mais, que precisa se alimentar direito, que tem yakisoba suficiente pra nós dois. deixa eu te sujar de gordura, de coca cola, de molho, só pra te mostrar que, a dois, a gente se completa muito mais do que quando tá sozinho. afinal, ninguém fica bem sozinho, isso é um auto-engano. lembra?

tô ouvindo sem parar o novo disco do John Mayer, meu Deus do céu, que disco maravilindo. mal posso esperar dia 21/09 pra ver meu muso Mayer cantando no Rio ❤ finalmente! realizar um sonho de vida — mesmo que dessa forma torta/escrota que é o Rock in Rio. se eu tivesse com grana sobrando, ia pra SP ver ele dia 19 por lá também, mas, né, #bolsistasofre.

já tô com fome, mas não sei se lancho sozinha na bichonete lanchonete ou se espero mais 1h10 até que o Felipe possa parar de trabalhar pra almoçar comigo. oh, dúvida cruel.

ps: ainda na vibe das reflexões do dia, esse texto aqui me tocou profundamente. ainda tenho 2 anos 1 ano e 4 meses até os 25, e espero que, até lá, eu consiga saber direitinho pelo menos essas 25 coisas listadas pela Mary. força!

o talismã do meu país?

eu acho que prometi aqui que ia falar um pouquinho da viagem pra Belém que fiz no início do mês, e, passada a frustração absurda do final de semana, combinada à diminuição de drogas remédios no meu organismo (hoje são só 7! yey!), resolvi riscar aqui umas linhas sobre a minha experiência semi-acadêmica semi-turística na capital do Pará.

cara, inevitável: toda vez que eu pensava que ia pra Belém, que eu ia pro Pará, eu começava a cantarolar – nem que fosse só na minha cabeça – o samba da Imperatriz Leopoldinense de 2013.

eu admito que eu fui pra Belém obrigada. eu não tinha a menor vontade de me deslocar pro Pará tão cedo nessa vida, quando tantos outros destinos brasileiros me enchem os olhos e me despertam curiosidade. mas o ENABED 2013 foi lá, então lá fomos todos rumo a um pedacinho da Amazônia pra alguns dias de calor, suor e discussões acadêmicas.

a saga começou na busca por hotel: todos os hotéis que eu procurava vinham acompanhados de críticas negativas dos hóspedes. eu já tava pirando com aquilo, porque eu prezo por um bom hotel nas minhas viagens. se guerra sem conforto é extermínio, imagina numa viagem que eu nem queria fazer?

acabou que, quando já tava em Brasília, cancelei a terceira(!!!) reserva de hotel em Belém e, no chute, na sorte, decidi ficar no mesmo hotel que os meus amiguinhos do mestrado iam se hospedar: o Belém Soft Hotel. bonzinho, simples, limpinho, mas também um pouquinho caro pra o que (não) oferece. pelo menos ele não foi na linha das críticas que eu tinha lido sobre outros hotéis – desde proliferação de formigas a cheiros horrorosos impregnados.

tá. chegando a Belém, um aeroporto longe, porém ajeitadinho. ponto pro Pará. mas era domingo de noite, e tinha trânsito. era domingo a noite, e a única opção de comida perto do hotel era o conjugado Domino’s/Spoletto. comemos lá – e depois outras vezes também, já que era bem perto, e, bem, pizza ❤

o lugar que mais gostei foi, é claro, a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. o que eu senti lá não tem explicação, eu não consigo descrever. fé.

mas, em Belém, senti uma insegurança nas ruas que coloca qualquer carioca mais ligado do que nem sei o quê. todo mundo mandava a gente ter muito muito cuidado. e sentimos na pele: no caminho do Mercado Ver-o-Peso até a Estação das Docas (uma caminhada de, sei lá, 5min no máximo), eu e meus amiguinhos fomos seguidos e por muito pouco não fomos assaltados.

não fomos assaltados porque entramos na Estação das Docas, o lugar-pra-turista de Belém. lá, sim, tudo limpo e seguro, com ar condicionado, policiamento, lojinhas bacanas, restaurantes maravilhosos, e sorvete Cairu ❤

a Estação das Docas logo virou nosso ~point~, e a gente foi lá todo dia. destaque pra Amazon Beer e seu delicioso happy hour com choppes artesanais e muita muita muita comida boa ❤

visitamos também o complexo onde fica a Casa das Onze Janelas, mas lá tinha um restaurante caro demais, e tava muito calor e estávamos com muita fome, então nem ficamos muito por lá.

no mais, teve a parte acadêmica mesmo da viagem, de comparecer no ENABED, apresentar trabalho, ser elogiada(!!!!!), e fazer aquele networking acadêmico que é necessário.

na minha listinha, faltou entrar no Teatro da Paz (porque passar por ele nós passamos umas 80 vezes), ir numa festa de aparelhagem pra ver a galera dançando treme, e também o passeio de barco no rio, que sai da Estação das Docas, e que tem umas moças dançando carimbó. mas eu tava pão dura e não quis pagar 30 Dilmas pra isso, preferi tomar muito sorvete. o treme, bem, eu não descobri se tinha uma festa de aparelhagem enquanto a gente tava lá.

disso tudo, dessa experiência, me resta dizer: tô ainda tentando descobrir onde é que é que o Pará é o “exemplo pro mundo” como diz no samba da Imperatriz. uma cidade onde o transporte público não tem ar condicionado, onde você pode ser assaltado a qualquer segundo, onde o povo joga lixo na rua a torto e a direito, onde as calçadas até dos bairros mais “nobres” são super esburacadas, não tem muito exemplo pra dar não.

no todo, foi bacana. amei a Basílica e também o sorvete de Castanha do Pará. aliás, eu sonho com esse sorvete todas as noites desde que voltei de lá. mas, se Belém é “o talismã do meu país”… xiiii…

sobre sinusite e frustrações

Eu não me considero uma pessoa extremamente saudável, mas também não sou doente sempre. Acho que sou só uma herdeira das doenças respiratórias do meu pai que, não satisfeita em herdá-las, acabei ~aperfeiçoando~ a sinusite, a rinite, a asma, e todas as muitas alergias. Pai, te amo muito, mas eu preferia não ter herdado essas características tão marcantes. Na verdade, eu queria só a sua inteligência, tava de bom tamanho já.

Enfim. Nessa última semana, tive uma crise como não tinha há, sei lá, uns 5 anos. Acho que desde que operei pra tirar o desvio de septo e limpar os cornetos, aos 18, não tinha uma crise assim. Foi crise de não agüentar esperar o meu otorrino, que não por acaso é meu primo, e que me conhece bem o suficiente pra receitar tudo o que eu preciso por telefone, poder me atender depois de um dia de centro cirúrgico.

Quarta feira eu tava tão ruim mas tão ruim que fui numa clínica que atende emergências aqui em Niterói, meio perto de casa, rezando pra encontrar algum otorrino que não fosse muito louco, nem muito são, mas apenas acertasse o suficiente nos medicamentos pra me dar um alívio. Por sorte, foi isso mesmo que aconteceu!

A médica bacana que me atendeu diagnosticou como uma forte crise de sinusite, e me deu uns remédios que fazem efeito.

Mas, porra, voltei pra casa com uma receita com 6 remédios diferentes – 5 dos quais eu nunca tinha usado na vida. E, cara, eu sou escolada nesse negócio de remédio pras vias respiratórias. Fora esses 6 da receita, eu ainda continuei usando mais 2 que já fazem parte da minha rotina, pra garantir que eu conseguiria respirar um tiquinho que fosse.

Eu detesto a sensação de não respirar. É horrível. E eu fico tossindo porque não respiro direito e resseca a garganta, e eu sou ruim de beber água, e eu fico cansada demais.

Na quinta a noite, mesmo fazendo uso de um tanto de remédio assim, e de um tanto de remédio que dá sono – porque, imagina, esses remédios já dão sono sozinhos, imagina misturados num McMenu combinado de drogas? Fico chapada fácil fácil -, e eu não conseguia dormir porque não conseguia respirar. Naquele dia eu cheguei num desespero tal que, depois de quase 2h tentando buscar o ar sem conseguir, eu comecei a chorar. Ok, eu sou chorona mesmo, mas você já ficou sem respirar? Você sabe o que é não conseguir sentir o ar chegando aos seus pulmões?

Cara. É foda.

As frustrações foram começando por aí. Com tanto remédio, eu simplesmente não consigo raciocinar direito. Eu fico chapada num grau que, pra escrever uma frase com sentido, eu demoro mais de 10min, e tenho que reler umas 3 vezes pra ver se tá ok (eu nem sei quanto tempo mais eu tô demorando pra escrever essas linhas aqui, e também tô ficando com preguiça de revisar – afinal, quem lê isso aqui mesmo?). Tentei umas 5x continuar a escrever o artigo que tá pertinho do deadline, mas cadê que eu consigo? Salvei tudo o que escrevi no melhor estilo a esperança é a última que morre.

Afinal, tanto artista bom que escreve músicas incríveis quando tá drogado – vai que eu escrevi alguma coisa que preste sob efeito de corticoides, cortisonas e afins? Tô tão louca nesse nível, querendo comparar assim as minhas drogas de farmácia/drogaria.

E, porque não agüento fazer muita coisa, passo quase o dia todo vendo tv ou dormindo mesmo. Ontem eu fui dormir 9 da noite, chapada de sono como se tivesse chegado de uma noitada as 5 da manhã. 9 da noite de um sábado, e eu estava DORMINDO. Eu tenho 23 anos? Ou tenho 93?

Tento ler um livro ou outro, e até comprei umas versões novas de ebooks, pra evitar o contato com papel que sempre guarda uma poeirinha safada que atrapalha ainda mais a recuperação. Mas, olha, já bati com o iPad mini tantas vezes na cara tentando ler, que não sei como não tô com um galo enorme na cabeça. Ainda bem que é o mini, se fosse o grande mesmo, porra, já era.

Ontem tava com tanta falta de ar que apelei pro Aerolin – a famosa bombinha pra asma. E hoje, pra completar, acordei menstruada, com mega dor (ai, cólica, por que não me largas?), e ainda tive que mandar o tylenol pra dentro.

E aí veio outra senhora frustração: mesmo sem me preparar adequadamente – como fazê-lo durante o mestrado? Não dá não, eu não sou de ferro – hoje eu deveria estar lá no Centro do Rio fazendo a primeira fase do CACD.

CARA, EU TO FRUSTRADA NUM GRAU QUE NINGUÉM CALCULA.

Porque, assim, de todo modo, é menos um ano na minha conta de anos que tenho pra passar pro IRBr. Mesmo que fosse ínfima a minha chance de, numa prova hoje, me dar , eu sei que essa chance existia – se eu estivesse bem de saúde, conseguindo discernir direitinho o a do b. Mas, não, é claro que eu tinha que estar toda fodida tomando 10 remédios (acho que são 10 né? Ou eu perdi a conta?), com cólica, sem respirar direito, e ainda por cima parecendo uma velhinha que só quer cama e cobertor e chá quentinho.

Essa prova, que já não seria nada fácil pra mim em condições normais, ainda é um desafio maior pela minha ansiedade sempre alta e pela minha dificuldade patológica em fazer provas. Perder um ano na conta – ainda que um ano só de experiência mesmo, ainda que um ano sem grandes expectativas – é foda. Tô frustrada, tô frustrada mesmo. Mas tenho que lidar com a frustração né – não tem jeito.

Eu sei que existe muita coisa muito pior do que isso tudo acontecendo com pessoas que sofrem muito mais do que eu. Graças a Deus, eu tenho pai e mãe que cuidam de mim, compram remédios, fazem de um tudo pra que eu fique melhor. Mas essas doenças respiratórias que não tem cura, que dão crise a hora que bem entendem, sem se preocupar se vão atrapalhar o meu cronograma ou não, são muito muito chatas.

Ai, Deus, dai-me forças pra aceitar essas coisas… e também multiplica o tempo pra ver se eu dou conta de tudo que tem pra fazer? Sei que tô pedindo muito mas, Papai do Céu, Você sabe como é, eu preciso acabar esse mestrado e virar gente.

tre anni senza lei

Hoje faz três anos que você me deixou, Mivó. Três anos que eu não sinto mais as suas mãos carinhosas passarem pelos meus cabelos, três anos que eu não vejo o seu olhar profundo, três anos que não passo um dia sem saudade de você.

Essa saudade não passa, vó. Eu pensava que, com o passar dos anos, com o passar do tempo, fosse ficar menos difícil viver sem você por perto, mas a verdade é que essa saudade dói muito. É como se me faltasse um braço, uma perna; é como se faltasse um pedaço físico de mim – ou vários pedaços de mim.

De vez em quando, alguma coisa acontece que faz tudo parecer ainda mais difícil. Mês passado, Mivó, teve um domingo que foi difícil, que me fez chorar muito muito com saudade de você. Naquele domingo, o Milton Nascimento apareceu na tevê, e foi ele começar a cantar pra que eu começasse a chorar de saudade de você. Fiquei lembrando dos shows que nós íamos, do tanto que você me ensinou sobre música, do tanto que você me ensinou sobre tudo. Mais tarde, de noitinha, o Leonardo, aquele da dupla que eu tanto gostava quando era pequenininha, também apareceu na tevê. Teve uma retrospectiva e tudo, porque era aniversário dele, e algumas imagens dele com o Leandro, bem da época que eu gostava de ouvir aquele LP deles até arranhar o disco, foram mostradas. Também chorei um tantinho de saudade daquela época, quando eu era pequena, quando eu não sabia o que vinha pela frente, quando eu ainda tinha uma vida toda pela frente com você perto de mim.

No mais, as coisas  continuam se ajeitando, como se um quebra cabeças muito difícil estivesse se montando. Acabei as disciplinas do mestrado, e agora tô escrevendo a dissertação, em meio a alguns artigos. Você acredita, vó, que eu fui até pra Belém apresentar dois artigos em um congresso? Fui tão elogiada! Parecia até que eu sabia alguma coisa, quando eu ainda sei tão pouco, quando eu ainda tenho tanto pra aprender. Enquanto estava lá, tive um tempinho pra conhecer algumas coisas da cidade, e a minha primeira parada foi a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Mivó, que Igreja maravilhosa! Que lugar abençoado! Fiz uma prece pedindo força a Deus, força pra seguir em frente, pedindo a Maria que me pegue no colo como Mãe quando eu estou prestes a cair. As lágrimas rolaram de uma forma que eu não soube explicar, de um jeito que não deu pra conter. Eu não consigo descrever o que eu senti; só sei que foi um momento de fé.

O mestrado me exige muito, é claro, mas tô aguentando firme e seguindo em frente. De vez em quando uma crise alérgica, ou de sinusite, acaba me fazendo atrasar o cronograma, mas tô me esforçando pra acabar tudo em tempo.

O Botafogo continua daquele jeito que você sabe: começou muito bem o campeonato brasileiro mas, na hora de garantir o título, tá deixando escorrer pelas mãos. Ontem mesmo teve jogo, que deixou empatar por besteira, por descuido. Esse time, essa herança gloriosa que você me deixou, continua fazendo o meu coração bater mais forte.

Nesse ano, vó, eu voltei a usar aparelho, dei crise porque estava usando aparelho de novo, e tirei o aparelho. Você sabe o quanto eu sofri da outra vez, né? Quando fiz o tratamento por quase 6 anos? Pois é. Precisava ter ficado um pouco mais em tratamento pra corrigir imperfeições que surgiram ao longo dos anos, mas eu não aguentei. Prefiro meus dentes meio apinhados, do que aqueles ferros ainda mais tempo comigo. Parece que vou usar uma contenção móvel por algum tempo – o que é menos pior, eu acho.

Eu tirei a carteira de motorista, Mivó! A mamãe me deu até um carro no ano passado, logo na semana seguinte que recebi a habilitação. O nome dele é Neville Longbottom, e ele é muito bacana. Vou com ele pro Rio, vou com ele por aí; já fui até dirigindo pra Búzios com ele!

Ah, é, vó. Eu tive coragem de voltar a Búzios nesse ano, com o Felipe. Logo depois do Carnaval, depois das nossas aventuras na Marquês de Sapucaí, fomos passar uns dias naquele lugar que você tanto gostava.  Não sabia se ia aguentar, mas o Felipe me ajuda a ficar mais forte, e ele gostou muito de lá. Não ficamos nos Gravatás, mas fomos a Geribá. A saudade que eu sinto de você, a saudade que Búzios me faz sentir de você, já não me impede de ir lá – desde que tenha a companhia certa, desde que não me agrida a ponto de chorar de tristeza por você não estar mais aqui pra ir pra lá com a gente.

O Felipe continua sendo um companheirão, Mivó. Eu não consigo não pensar no quanto você gostaria dele se o tivesse conhecido! No ano passado, fui passar o Natal e o Réveillon com ele lá no Zimbábue. Nesse ano, ele tirou férias e nós fomos para a Califórnia e para Las Vegas juntos. E agora, no mês passado, ele voltou pro Brasil! Fui pra Brasília ajudá-lo a escolher e a montar o apartamento onde ele tá morando, e logo já vou pra lá vê-lo outra vez. Agora estamos tão perto! Aqui ele trabalha mais e ganha menos, mas é tão bom saber que ele não tá mais lá na África, não tá mais tão distante, não tá mais num fuso horário diferente! A gente se diverte muito quando tá junto, vó. Ele me faz muito feliz! Eu me sinto mais completa quando tô com ele.

Papai e mamãe continuam me dando o apoio de sempre, me ajudando a seguir em frente. Mandam eu viajar, mandam eu passear, vão comigo ao cinema e ao teatro. Você acredita que até tô conseguindo levar o papai pra passear no Rio? Pois é! Tá, ele vai menos do que a mamãe vai comigo, vira e mexe não quer ir passear em shopping com a gente, mas até que tá menos resistente. Acho que a gente ainda tá descobrindo um jeito de viver sem você, de reorganizar a nossa vida pra tentar sentir menos dor quando o assunto é essa falta que você nos faz.

Mas se tem uma coisa que não mudou nesses 3 anos, Mivó, foi a vontade de ter você do meu lado. Você me faz uma falta que não tem explicação, não tem comparação, e não tem nada que possa curar e/ou substituir. Não consigo esquecer a sua presença forte, a sua força, os seus ensinamentos sobre companheirismo, lealdade, amor e amizade. Consigo sentir até agora os seus afagos e os seus abraços, com a força de quem muito ama e de quem muito sente saudade.

Encontro conforto pra essa falta que você me faz quando rezo a Deus e consigo sentir, no meu coração, o amparo e a proteção divina.

sem aparelho, parte 2!

tirei hoje os brackets inferiores AE AE AE

queria escrever mais, mas tô super atrasada num artigo. #bolsistasofre

assim que der eu volto aqui pra contar das minhas aventuras em Belém – e, why not – em Brasília também.

em Belém!

estou em Belém-PA! cheguei ontem, depois de um vôo BSB-BEL, recepcionada por relâmpagos e chuva nesse cidade quente e úmida. enquanto o meu nariz agradece o intervalo de secura, meu coração fica batento forte esperando logo a hora de voltar pra BSB, nem que seja só mais um pouquinho antes de voltar pra Niterói de novo.

minha pele também já notou a diferença de clima: o que estava mega seco por dá lugar a um avermelhado esquisito, que, se tiver sinais de alergia, já tá sendo combatido pelo antialérgico que eu já tomei.

ah, sim. por que estou aqui? é hora do Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos de Defesa. é aquele tipo de viagem que não tem escapatória, e que a gente aceita que dói menos. tenho que apresentar 2 artigos em 2 simpósios aqui, nessa cidade quente.

o hotel escolhido é okzinho, nada demais, nem nada de menos. o que fudeu tudo é que todas as tomadas no quarto são daquelas de três pinos, padrão novo, e eu não trouxe nenhum adaptador. então tô sugando bateria do MacBook pro iPhone, enquanto carrego a bateria da câmera com um adaptador emprestado de um dos amiguinhos que também está hospedado aqui e foi mais prevenido do que eu. já soube que tem uma Lojas Americanas aqui perto, mas tô com preguiça de ir sozinha comprar. os amiguinhos que também estão nesse hotel querem dormir até meio dia, vê se pode.

falta descobrir o que há de bom pra se fazer nessa cidade, porque é claro que eu não anotei nenhuma das dicas que os conhecidos que já vieram aqui me deram. #leticiafail

tô achando esquisito ver um céu cheio de nuvens depois de ficar mais de uma semana vendo só o azul do céu pelas janelas.

a house becomes a home

a ideia de ter uma casa sempre foi muito distante pra mim. nunca pensei que sairia rápido da casa dos meus pais, e nem tenho necessidade disso. viver com eles é uma bênção e eu ainda quero aproveitar bastante essa convivência.

mas, com a volta do Felipe pro Brasil, mais precisamente pra Brasília, como contei no post anterior, foi preciso assumir uma maturidade que eu não sabia que tinha, e desenvolver habilidades que não imaginava ter em mim. os horários dele de trabalho exigiam que eu o ajudasse – e muito – no processo de ter um lugar para morar.

anteontem ele conseguiu uma folga e nós arrumamos juntos a casa, enquanto os móveis e eletrodomésticos começavam a chegar. ontem, esperei a manhã inteira pela instalação do combo tv a cabo + internet + telefone. hoje, tô o dia inteiro trancafiada em casa, esperando por uma equipe que não vem, que deveria montar o rack.

nem tudo está dando certo de primeira, é claro. a inexperiência acaba nos pregando algumas peças: falta uma peça pra poder instalar a máquina de lavar roupas, o telefone ainda não pode funcionar porque o aparelho comprado é pra uso em ramal e não como telefone central, hoje o dia ficou meio perdido (ok, foi bom pra colocar os estudos em dia e preparar apresentações pra conferência da próxima semana) porque a equipe de montagem (ainda) não chegou, e ainda não descobri um método eficiente de organizar o banheiro – que não tem um gabinete embaixo da pia. tudo isso, é claro, há de se resolver com o tempo, e sem muita demora, mas damos algumas risadas com essas situações.

ontem de tarde fiquei hoooooras escolhendo e comprando itens de casa, desde piso anti-derrapante pro banheiro até mesa de canto pra sala. pouco a pouco, esse apê vai tomando forma de casa, forma de lar.

uma frase do U2 sempre ecoou nos meus ouvidos quando pensava numa vida pós-casa-dos-meus-pais: a house doesn’t make a home. é preciso muito mais do que 4 paredes e um teto pra se ter um lar. e eu sempre tive certeza de que faria o máximo pra ter um lar.

um lar é feito dessas pequenas coisas, dessas pequenas doses de amor que ficam em cada objeto de decoração ou móvel escolhido; são pequenas doses de amor que definem qual será o sofá que abrigará corpos cansados que querem ver um filme na tv, ou qual o pano de prato vai enxugar a louça usada numa refeição simples.

é mais ou menos isso que tô tentando fazer aqui: tô tentando fazer dessa casa um verdadeiro lar pro Felipe, um lugar onde ele possa ficar feliz. um lugar pra onde ele queira voltar, porque se sente bem aqui.

é claro que é cedo pra dizer se esse aqui também será o meu lar – só Deus sabe o dia de amanhã – mas eu tô adorando essa experiência de escolher cada detalhe que transforma esse apto num refúgio aconchegante no meio do cerrado, que transforma esse apto num verdadeiro lar.

falta só mais uma horinha pro meu amor chegar do trabalho… cada carro que estaciona aqui na quadra acelera o meu coração, pensando que pode ser ele, que poderia ser ele. essa espera que aquece o coração é a espera de quem ama.