everlong

eu poderia falar sobre aqueles 3 dias que definiram a nossa história.

eu poderia falar do nosso (re)encontro no Bar Brahma pra assistir aos Demônios da Garoa. eu poderia falar que fiquei mexida naquele dia quando eles cantaram uma versão sambinha de “Evidências”. eu poderia falar que tentei negar as aparências, disfarçando as evidências. eu poderia falar sobre os muitos choppinhos que tomamos naquela noite, e todas as cervejinhas que levaram àquela noite. eu poderia falar que nós ficamos lá até o bar fechar. eu poderia falar que tiramos foto no cruzamento da Ipiranga com São João. eu poderia falar que, naquela noite, te entreguei um care package com cachecol feito à mão, com livro escolhido com carinho, com mixtapes gravadas com amor, e com ingresso pro Lollapalooza no dia do show do Foo Fighters. eu poderia falar da vontade que eu já estava de te beijar naquele dia, ali mesmo, sem pensar nas consequências.

eu poderia falar do dia seguinte. eu poderia falar sobre acordar no meu hotel e ligar pro seu hotel, combinando o encontro logo em seguida. eu poderia falar da sua teimosia em querer achar uma loja aberta antes das 15h em plena Sexta-feira Santa. eu poderia falar da nossa ida ao Museu do Futebol. eu poderia falar do nosso almoço no restaurante japonês. eu poderia falar da compra do seu tênis novo, pra substituir os sapatos sociais que você calçava, e que nada combinavam com sua calça jeans. eu poderia falar da sua relutância pra comprar o presente do então recém-nascido, filho do seu amigo. eu poderia falar do nosso cafézinho no Starbucks enquanto esperávamos o seu celular carregar um pouquinho com o novo carregador. eu poderia falar do nosso passeio mais do que agradável no Parque do Ibirapuera, e da minha vontade em segurar a sua mão enquanto andávamos por lá. eu poderia falar da nossa visita àquela exposição n’A Oca – a Let’s Rock -, e da minha vontade de dividir um daqueles puffs imensos pra assistir aos vídeos projetados no teto com você. eu poderia falar do meu nervosismo em receber um presente seu – um livro! -, escolhido com tanto carinho. eu poderia falar dos sakês, dos temakis, da sinuca e do karaokê na Chopperia Liberdade. eu poderia falar do quanto você canta mal, e do quanto eu gostei de te ver cantando naquela noite. eu poderia falar das opiniões dos nossos amigos sobre a gente naquela noite, porque eles não são burros e sentiram o que estava no ar, sentiram o que a gente já estava sentido. eu poderia falar da vontade de não sair de perto de você quando você me acordou, já que eu cochilava no seu ombro no táxi até o meu hotel.

eu poderia falar sobre a minha noite tão mal dormida. eu poderia falar da minha ansiedade em te ver de novo. eu poderia falar daquela ligação despretensiosa antes das 9 da manhã pedindo pra você me dar colo de novo, tomar café da manhã comigo, porque eu já não aguentava mais não dormir, porque eu já não aguentava mais ficar longe de você. eu poderia falar do café da manhã e da melancia. eu poderia falar do quanto gostei de ganhar colo, de ver filme na tevê, de ganhar cafuné. eu poderia falar do quanto eu me controlei pra não te beijar naquela manhã. eu poderia falar do nosso almoço, com outro amigo nosso, e das nossas insistentes tentativas em convencê-lo a ir pro Lollapalooza com a gente, porque, naquela altura, nós dois já sabíamos o que poderia – e ia – acontecer. eu poderia falar da nossa chegada no Jockey Clube e de como andamos de mãos dadas no meio da multidão. eu poderia falar da fila pra comprar cervejinha, e do quanto nós nos abraçamos naquela fila. eu poderia falar das cervejinhas. eu poderia falar do quanto eu te falei que não entendia o porquê de termos nos tornado tão amigos e tão próximos tão perto da sua partida. eu poderia falar do quanto você falou que você não entendia o porquê de termos nos tornado tão amigos e tão próximos tão perto da sua partida. eu poderia falar de como sentamos na grama e conversamos ao som de muitas bandas bacanas. eu poderia falar de como eu adorei ver a Joan Jett pertinho de você. eu poderia falar do quanto eu adorei andar de mãos dadas com você de um palco pro outro pra assistir Foo Fighters. eu poderia falar do quanto eu amei assistir ao show inteiro agarrada em você. eu poderia falar dos arrepios que eu sentia quando você respirava abraçado em mim. eu poderia falar do quanto eu chorei em “Walk”, do quanto eu gritei em “I Love Rock n Roll”, e do quanto eu quis te beijar em “Everlong”.

eu poderia falar dos momentos que conduziram ao nosso beijo. eu poderia falar do abraço demorado e dos carinhos prolongados. eu poderia falar da nossa relutância até o último segundo. eu poderia falar da nossa consciente tomada de decisão, no meio de tanta emoção. eu poderia falar do nosso beijo.

eu poderia falar de todos os momentos que nos tornaram mais do que grandes amigos e que nos fizeram namorados.

mas eu só vou falar que eu te amo.

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