as Páscoas da minha infância

nas Páscoas da minha infância, eu não ganhava chocolate. eu tive intolerância à lactose até os 9 anos, e, nas minhas 9 primeiras Páscoas, os meus pais e a Mivó (sempre ela, com participação mais do que especial) se viravam pra inventar atividades e presentinhos que também tivessem significado na data.

mas a minha intolerância à lactose não era tipo Leonard Hofstadter não. era assim: se eu comesse qualquer coisa com leite, a minha glote fechava, e eu não conseguia respirar mais. eu tinha muita alergia à muitos alimentos. ainda bem que isso eventualmente acabou. mais ou menos.

enfim.

nas Páscoas da minha infância, eu ganhava ovo cozido, bonecos de coelho (bonecos, e não pelúcias, porque a alergia respiratória também exigia esse cuidado), cenouras cozidas. tá bem, vez ou outra eu ganhava um coelhinho de pelúcia, que tinha sempre que ficar guardado num plástico, e/ou ser lavado do, freqüência. e sempre tinha bolo de cenoura nas Páscoas da minha infância.

nas Páscoas da minha infância, a gente ia cedo pra igreja, celebrar a Ressurreição do Senhor Jesus. ainda me lembro de muitos dos cânticos de Páscoa da minha infância.

nas Páscoas da minha infância, eu visitava minhas tias-avós, cada uma na sua casa, e também passava na casa da Vovó – como todos os domingos.

nas Páscoas da minha infância, eu ligava pra todos os meus tios; às vezes, se fosse oportuno, visitava alguns (família grande – pelo menos, ela era grande demais na minha infância – é assim).

um ano ou outro, passávamos a Páscoa em Miracema, e a segunda metade do dia era dedicada à volta pra casa.

depois que passei a poder comer chocolate, minhas Páscoas ficaram um pouquinho mais doces. comia chocolate no café da manhã da Páscoa, e ficava com a cara toda lambuzada de chocolate. fazia uma lambança de verdade, uma lambança muito grande. lembro que uma vez segurei o ovo de chocolate por tanto tempo que ele derreteu na minha mão, escorrendo pelo braço.

os chocolates vieram, e os ovos cozidos foram embora. mas as Páscoas da minha infância continuavam sendo de Ressurreição, de visitas, de família.

eu fui crescendo, e as Páscoas da minha infância foram ficando pra trás. desde 2008, não passava a Páscoa com a minha família. de 2008 a 2011, fui pra BH pras edições do TEMAS. ano passado, fui pra SP pra curtir o Lollapalooza.

o plano, esse ano, era de também ir pra SP e também ir no Lollapalooza. até ingresso comprei. mas acabou não dando certo, e, nesse ano, o Lollapalooza, pra mim, se resume à muita tevê.

mas foi bem bacana passar essa Páscoa em família. algumas tradições foram retomadas, enquanto outras, pela força do tempo que tira pessoas que amamos de perto de nós, ou seja lá pelo que for, foram deixadas pra trás. ontem, almocei na casa dos meus tios, e fiquei lá proseando por horas, antes de voltar pra casa pros estudos/Lollapalooza na tevê. hoje comi chocolate no café da manhã e passei o dia inteiro agarrada nos meus pais, curtindo mais essa oportunidade abençoada de estarmos juntos.

a Páscoa de hoje pode não ter sido como as Páscoas da minha infância. mas com certeza a Páscoa de 2013 teve tanto amor e tanto chocolate quanto qualquer outra Páscoa da minha infância.

feliz Páscoa!

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