fazendo uma limpeza no armário

de vez em quando, é importante dar uma olhada com atenção nas coisas que habitam o nosso armário. desse olhar atencioso, surge a necessidade de desapegar de algumas coisas, de desenterrar outras, de achar o velho novo, e abrir espaço para coisas mais novas entre coisas antigas. e foi mais ou menos isso que eu fiz nessa semana.

há alguns meses eu ensaiava uma limpeza geral do meu armário, e a mudança de quartos me pareceu uma ocasião propícia pra isso. foi um tal de veste-tira-veste-de-novo-pensa-um-pouquinho-separa-volta-desapega-de-vez que parecia não ter fim. percebi que tinha peça comprada há 6 ou 7 anos que não usava há tempos, ou peças compradas na última estação que já não tinha certeza de que usaria de novo.

separei os vestidos de festa que já dançaram muito por aí, ou que nunca foram usados; as calças jeans grandes demais, ou pequenas demais, ou que simplesmente já me vestiram por tempo suficiente; os shorts que já passearam tantos verões comigo, e merecem passear mais verões em outros lugares; as blusas e camisetas que podem fazer bonito em outras pessoas; as bolsas que podem carregar coisas de outras pessoas; os casacos que podem aquecer outros braços no próximo inverno; os sapatos que trilharão outros caminhos, diferentes ou semelhantes aos que já pisaram comigo.

e, no meio de tanto desapego, vem aquilo que talvez seja a melhor parte de qualquer limpeza de armário: o redescobrimento de roupas que estavam lá no fundo, quase esquecidas, quase escondidas por coisas novas que nunca param de chegar, e que voltarão a passear comigo nos próximos dias.

com o armário menos cheio, dá pra ver melhor tudo o que mora lá dentro. decidi organizar todas roupas de calor (porque não dá pra usar a classificação de “roupas de verão” morando no Rio/Niterói, já que, por aqui, é verão quase o ano inteiro) num lado do armário, e as roupas de frio em outro, pra facilitar as escolhas de acordo com a temperatura. os sapatos também estão mais organizados, trazendo as rasteirinhas, as sapatilhas e os tênis All Stars pro destaque, as botinhas em seguida, e os saltos lá pro fundo (porque eu não gosto mesmo de salto e não escondo isso de ninguém).

organizando o armário, a gente acaba organizando a vida da gente. eu acredito que cada peça de roupa é como uma parte da nossa história. mas desapegar de uma roupa não significa deixar um pedaço da gente de lado; é deixar que ela possa ser parte da história de outra pessoa também.

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