Arquivo do mês: março 2013

as Páscoas da minha infância

nas Páscoas da minha infância, eu não ganhava chocolate. eu tive intolerância à lactose até os 9 anos, e, nas minhas 9 primeiras Páscoas, os meus pais e a Mivó (sempre ela, com participação mais do que especial) se viravam pra inventar atividades e presentinhos que também tivessem significado na data.

mas a minha intolerância à lactose não era tipo Leonard Hofstadter não. era assim: se eu comesse qualquer coisa com leite, a minha glote fechava, e eu não conseguia respirar mais. eu tinha muita alergia à muitos alimentos. ainda bem que isso eventualmente acabou. mais ou menos.

enfim.

nas Páscoas da minha infância, eu ganhava ovo cozido, bonecos de coelho (bonecos, e não pelúcias, porque a alergia respiratória também exigia esse cuidado), cenouras cozidas. tá bem, vez ou outra eu ganhava um coelhinho de pelúcia, que tinha sempre que ficar guardado num plástico, e/ou ser lavado do, freqüência. e sempre tinha bolo de cenoura nas Páscoas da minha infância.

nas Páscoas da minha infância, a gente ia cedo pra igreja, celebrar a Ressurreição do Senhor Jesus. ainda me lembro de muitos dos cânticos de Páscoa da minha infância.

nas Páscoas da minha infância, eu visitava minhas tias-avós, cada uma na sua casa, e também passava na casa da Vovó – como todos os domingos.

nas Páscoas da minha infância, eu ligava pra todos os meus tios; às vezes, se fosse oportuno, visitava alguns (família grande – pelo menos, ela era grande demais na minha infância – é assim).

um ano ou outro, passávamos a Páscoa em Miracema, e a segunda metade do dia era dedicada à volta pra casa.

depois que passei a poder comer chocolate, minhas Páscoas ficaram um pouquinho mais doces. comia chocolate no café da manhã da Páscoa, e ficava com a cara toda lambuzada de chocolate. fazia uma lambança de verdade, uma lambança muito grande. lembro que uma vez segurei o ovo de chocolate por tanto tempo que ele derreteu na minha mão, escorrendo pelo braço.

os chocolates vieram, e os ovos cozidos foram embora. mas as Páscoas da minha infância continuavam sendo de Ressurreição, de visitas, de família.

eu fui crescendo, e as Páscoas da minha infância foram ficando pra trás. desde 2008, não passava a Páscoa com a minha família. de 2008 a 2011, fui pra BH pras edições do TEMAS. ano passado, fui pra SP pra curtir o Lollapalooza.

o plano, esse ano, era de também ir pra SP e também ir no Lollapalooza. até ingresso comprei. mas acabou não dando certo, e, nesse ano, o Lollapalooza, pra mim, se resume à muita tevê.

mas foi bem bacana passar essa Páscoa em família. algumas tradições foram retomadas, enquanto outras, pela força do tempo que tira pessoas que amamos de perto de nós, ou seja lá pelo que for, foram deixadas pra trás. ontem, almocei na casa dos meus tios, e fiquei lá proseando por horas, antes de voltar pra casa pros estudos/Lollapalooza na tevê. hoje comi chocolate no café da manhã e passei o dia inteiro agarrada nos meus pais, curtindo mais essa oportunidade abençoada de estarmos juntos.

a Páscoa de hoje pode não ter sido como as Páscoas da minha infância. mas com certeza a Páscoa de 2013 teve tanto amor e tanto chocolate quanto qualquer outra Páscoa da minha infância.

feliz Páscoa!

o gato preto da sorte

no imaginário popular, gato preto dá azar.

talvez se eu tivesse seguido essa máxima, não estaria feliz por uma coisa bacana que aconteceu esses dias.

lá no instagram (segue lá: @leticiatostes), o Chá Feel Good (@chafeelgood) e a Carla Lemos (@modices) lançaram um concurso de #lookfeelgood. de vez em quando (ok, quase sempre) eu posto o #lookdodia lá no instagram, assim, como quem não quer nada. quando vi a promoção, pensei, bem, vamos lá, eu nunca ganho nada, mas mal não vai fazer, e é sempre divertido brincar de montação de look.

o primeiro look que eu postei pra concorrer foi esse aqui:

#lookfeelgood

Look Feel Good

exceto pela botinha (lá da C&A, coleção da 284), o look é todo Farm. misturei casaqueto e camiseta de gatinhos, com a saia preta de pregas macho. e reparem bem que o casaqueto é cheio de gatos pretos.

quando fui na Farm com a mamãe conferir a coleção Lola e Tom, ela não curtiu nadinha os gatos pretos. eu insisti em comprar o tal casaqueto. acabei levando.

e eles acabaram me dando muita sorte!

dos quatro looks que postei pra concorrer, foi logo esse, logo o primeiro deles, que levou o prêmio.

mas, Letícia, qual prêmio você ganhou?

além de um kit de produtos Feel Good (pra colaborar no meu #projetoveraodoismilenunca), vou receber um biquíni da Triya, uma scarf da Scarf.Me, um vale da Farfetch e um ano de assinatura da Glossybox.

POIS É.

claro que fiquei super emocionada! eu nunca ganho nada. acho que a última vez que ganhei uma promoção dessas foi aos 9 anos, quando eu insisti pra comprar um tal shampoo na Sendas, e chegou em casa uma caixa imensa de itens de verão (tipo rede de vôlei, espreguiçadeira, raquetes de frescobol, essas coisas). e olha que a Sendas nem existe mais.

e, dessa vez, eu ganhei muita coisa bacana!!!!!

fiquei tão feliz e emocionada quando vi o post lá no Modices que ficou difícil até dormir ontem. eventualmente, depois de muito cházinho, consegui pegar no sono.

claro que eu tinha que registrar isso aqui. depois de uma segunda feira tensa como foi ontem, de muitos altos e baixos, eu acabei recebendo essa notícia maravilhosa.

isso tudo mostra que, pra mim, o gato preto trouxe foi sorte. e que sorte!!

anxiety keeps me happy

eu estou apenas tentando não surtar nesse momento, porque, antes do meio dia, o dia de hoje já tá recheado de emoções.

infelizmente, ainda não dá pra registrar todas as novidades nesse momento – que incluem coisas boas e coisas não tão boas assim.

é nessas horas que eu penso que, se eu não aceitasse o plano de Deus pra mim, se eu não aceitasse que o plano de Deus pra mim é para o meu bem, eu realmente poderia ficar maluca.

Senhor, me ajude a aceitar o Seu plano pra mim. me ajude a aceitar os desafios impostos no meu caminho. me dê força, Senhor, pra enfrentar esses desafios sem desanimar.

awesome face is awesome

eu provavelmente terei que atualizar esse post no futuro, já que outras fotos surgem desse jeito ~espontâneo~, mas eu já vou postar essa foto aqui, porque awesome face is awesome!

MWIB

Universal Studios, Orlando – FL, 25/jan/2013

e, né, tô com saudade de Orlando, pra variar só um pouquinho ❤

só pra contar um pouco do que aconteceu nos últimos dias

nessa última semana, algumas coisas que aconteceram merecem ser registradas, seja pelo motivo que for.

como já contei aqui, apliquei uma prova na graduação, e aquela experiência ainda ficou martelando na minha cabeça uns dias. porque eu sou dessas que passa dias refletindo sobre uma determinada coisa.

no final de semana, meu tio avô fechou os olhos pela última vez, depois de 103 anos de vida muito bem vividos. já sabíamos que a hora estava chegando por conta não só da idade dele, mas também da saúde bem frágil – o que não significa que os nossos corações estejam cheios da tristeza da perda e da saudade que já começa a apertar. agora só podemos continuar cuidando da minha tia avó, enquanto ela aguentar ficar sem o amor da vida dela. imagina só: quase 80 anos de casados; quase 80 anos dormindo de mãos dadas.

é difícil.

mas, a vida segue, né? e a gente tem que continuar a encarar a rotina, e também aquelas pequenas alegrias que transformam dias difíceis em memórias felizes.

ontem foi um dia desses: aproveitei que tinha que ir na UFF, e fui mais cedo pro Centro pra conferir a C&A Collection da Santa Lolla. achei que seria uma boa oportunidade pra incrementar minha sapateira, já que eu sou meio mão de vaca pra comprar sapatos. tá, nem tanto. mas é que eu sou bem relutante quanto aos gastos com sapatos, porque nunca consigo evitar pensar que tô gastando uma grana pra colocar a parada no chão.

enfim. cheguei dentro da C&A exatamente às 10h07, apenas 07 minutos depois da loja abrir, e fiquei assustada com o que vi. a mulherada tava enlouquecida! tinha gente com sacolas e mais sacolas entupidas de sapatos, mulheres brigando por bolsas (que já tinham acabado), e os funcionários da loja lá, no meio de tudo, meio chocados com a situação. eu fiquei absolutamente chocada. eu sabia que dia de lançamento de Collections na C&A eram bem assim – a Maria Filó no ano passado também causou frisson – mas o que eu vi ontem estava fora de qualquer padrão aceitável de normalidade.

mulher é foda!

acabou que comprei 2 sandálias, 1 sapatilha e 1 slipper. umas outras peças também me chamaram a atenção, mas eu não tava disposta a encarar aquela mulherada doida. fiquei feliz com as minhas aquisições. os sapatinhos que escolhi são bem fofos e achei que o preço tá bem justo. só fiquei meio chateada porque eu queria muito uma bolsa vermelha e não teve jeito de conseguir uma (porque eu sou essa pessoa que tem bolsa de tudo quanto é jeito e marca mas fica #chatiada de não comprar uma bolsa na C&A). se rolar de achar alguma coisa ainda na próxima ida ao Plaza, quem sabe…

fora isso, tenho estudado demais; mas, pra escrever, ainda tá difícil. aquela velha história do desafio da folha em branco… tô esperando também os meus livros novos chegarem pra cair dentro deles. aproveitei um momentinho de folga no último final de semana e fui assistir Duro de Matar – Um Bom Dia para Morrer, crente crente que ia apenas relaxar e me encher de pipoca e Coca Cola vendo muitas explosões e brigas na telona, mas eis que o enredo é todo focado em urânio enriquecido e essas coisas que poderiam causar uma guerra nuclear. bolsista sofre!

ainda essa semana preciso decidir se vou ou não pra SP na páscoa pra fazer jus ao meu ingresso do Lollapalooza e ver o Pearl Jam (<3) ou se sossego o facho e fico aqui mesmo estudando. tô naquele conflito de vontade de ver o Eddie MUSO Vedder com preguiça de viajar com vontade de encontrar os amiguinhos com revolta pelos preços dos hotéis, e assim por diante. o que farei? não sei. só sei que meu tempo pra decidir tá acabando, e me impus o deadline de sexta feira pra decidir. a verdade é que esse ano eu não tô tão empolgada pro festival como no ano passado. claro, ano passado tinha chaveirinho comigo, e esse ano não tem.

queria amanhã ver o Barão Vermelho no Circo Voador, mas acho que não vai rolar por falta de companhia. vou chorar.

mentira. não rola chorar. tenho que voltar pros estudos. porque, né, bolsista sofre.

a primeira vez em que eu apliquei uma prova

não é surpresa para os (três) leitores desse blog que eu faço mestrado e que, como parte da minha formação, eu preciso fazer uma coisa chamada estágio docência. e, hoje, dentro dessa experiência, eu apliquei a prova aos alunos da disciplina Política Externa Brasileira II.

eu já dei muita aula nessa vida, e já sabia bem a sensação que é ficar diante de uma turma que – atenta ou não – ouve o que você está falando. a primeira vez que eu oficialmente dei aula na vida eu tinha 12 anos, quando fui chamada pra ser professora de religião. e não venha me dizer que não conta, porque conta sim! eu preparava aula, tinha que corrigir as atividades dos alunos, escrever no quadro com pilot (o que, na época, eu achava o máximo! até porque lá se vão 11 anos, e há 11 anos um quadro branco de pilot não era tããão comum assim nas salas de aula).

mas eu nunca tinha aplicado uma prova antes!

a sensação inicial foi muito estranha. primeiro, eu achava que todo mundo tava colando. qualquer barulho – até do vento do ar condicionado – me dava susto, porque eu fiquei muito concentrada na tarefa de não deixar ninguém colar. depois, eu achei bastante engraçado os alunos irem me pedir permissão pra ir no banheiro antes da prova – porque eu também sempre achava que eles tavam mesmo é ir dar uma olhadinha em algum papelzinho escondido dentro dos bolsos. lá pelas tantas, eu comecei a controlar o tempo, porque conheço bem aluno em dia de prova, que fica pedindo mais e mais tempo, e, se o professor deixar, fica lá escrevendo até tarde. finalmente, comecei a recolher as provas, organizar dentro do envelope, não deixando nenhuma folha se perder.

acho que tive tantos sentimentos e reações porque, não faz muito tempo, eu era aluna; não faz muito tempo, eu tava ali, no lugar onde eles estavam hoje, escrevendo, escrevendo, escrevendo tudo e mais um pouco. como muitos que estavam ali, eu também não colei, e não colava. pois é, eu sempre passei cola, mas eu nunca colei. talvez isso não me isente da culpa, já que fui conivente várias vezes com amiguinhos que burlavam os meios pra fazer as provas… mas eu, eu mesma, nunca colei. nunca gostei da ideia de me enganar só pra tirar uma nota um pouco maior. desde que eu estudasse bastante, o que tirasse, tava ok!

hoje eu me vi um pouco naquela sala, e voltei há tempos não tão distantes, e que deixaram saudade. as avaliações ainda fazem parte da minha vida, e acho que continuarão sendo por um bom tempo, mas aquele frescor da graduação, hoje, me fez falta.

ah! só mais uma coisa: estou compulsivamente comprando livros sobre política nuclear brasileira desde ontem. já são 7 até agora. só queria registrar isso aqui. agora posso voltar a estudar. ai ai ai

fazendo uma limpeza no armário

de vez em quando, é importante dar uma olhada com atenção nas coisas que habitam o nosso armário. desse olhar atencioso, surge a necessidade de desapegar de algumas coisas, de desenterrar outras, de achar o velho novo, e abrir espaço para coisas mais novas entre coisas antigas. e foi mais ou menos isso que eu fiz nessa semana.

há alguns meses eu ensaiava uma limpeza geral do meu armário, e a mudança de quartos me pareceu uma ocasião propícia pra isso. foi um tal de veste-tira-veste-de-novo-pensa-um-pouquinho-separa-volta-desapega-de-vez que parecia não ter fim. percebi que tinha peça comprada há 6 ou 7 anos que não usava há tempos, ou peças compradas na última estação que já não tinha certeza de que usaria de novo.

separei os vestidos de festa que já dançaram muito por aí, ou que nunca foram usados; as calças jeans grandes demais, ou pequenas demais, ou que simplesmente já me vestiram por tempo suficiente; os shorts que já passearam tantos verões comigo, e merecem passear mais verões em outros lugares; as blusas e camisetas que podem fazer bonito em outras pessoas; as bolsas que podem carregar coisas de outras pessoas; os casacos que podem aquecer outros braços no próximo inverno; os sapatos que trilharão outros caminhos, diferentes ou semelhantes aos que já pisaram comigo.

e, no meio de tanto desapego, vem aquilo que talvez seja a melhor parte de qualquer limpeza de armário: o redescobrimento de roupas que estavam lá no fundo, quase esquecidas, quase escondidas por coisas novas que nunca param de chegar, e que voltarão a passear comigo nos próximos dias.

com o armário menos cheio, dá pra ver melhor tudo o que mora lá dentro. decidi organizar todas roupas de calor (porque não dá pra usar a classificação de “roupas de verão” morando no Rio/Niterói, já que, por aqui, é verão quase o ano inteiro) num lado do armário, e as roupas de frio em outro, pra facilitar as escolhas de acordo com a temperatura. os sapatos também estão mais organizados, trazendo as rasteirinhas, as sapatilhas e os tênis All Stars pro destaque, as botinhas em seguida, e os saltos lá pro fundo (porque eu não gosto mesmo de salto e não escondo isso de ninguém).

organizando o armário, a gente acaba organizando a vida da gente. eu acredito que cada peça de roupa é como uma parte da nossa história. mas desapegar de uma roupa não significa deixar um pedaço da gente de lado; é deixar que ela possa ser parte da história de outra pessoa também.