Arquivo do mês: janeiro 2013

saí da África, mas a África não saiu de mim

de volta ao Brasil, eu não consigo resumir melhor o que eu estou sentindo desde que pousei aqui, na noite do último domingo.

ontem, ao me preparar pra sair de casa, não pude vestir outra coisa senão minha saia africana. pra onde eu vou, vejo África – em revistas e livros espalhados pela cidade; pra onde vou, sinto a África dentro de mim.

me resta uma saudade que eu não sei que poderia sentir. não é “só” uma saudade do meu amor que ficou lá mais um pouquinho (o “só” está entre aspas porque essa saudade por si mesma é imensa demais pra ser “só”). é uma saudade também de um jeito de viver, de um jeito de andar, de cores que eu vi, de gente com quem eu falei, de coisas que eu vivi.

uma saudade do silêncio e da paz de Harare. uma saudade da contemporaneidade misturada ao jeito antigo de Johannesburgo. uma saudade da secura quente de Gaborone. uma saudade da diversão interminável em Sun City. uma saudade de muita coisa que eu não consigo enumerar.

uma saudade imensa de carinhos intermináveis por tantos lugares onde eu estive na África.

esse interregno de Niterói tá servindo pra matar as saudades do papai e da mamãe, e pra terminar as tarefas do mestrado, antes de embarcar de novo num aeroplano. pois é… depois de amanhã, eu volto pro lugar de onde sinto mais saudade no mundo: Orlando. dizer que eu estou morrendo de saudade dos parques é um understatement imenso! é a primeira vez em muito tempo que eu passei mais de 6 meses sem ir pra lá (já que a última viagem pra lá foi em janeiro do ano passado), e eu estou feliz demais de ter mais essa oportunidade de ir pro lugar que eu amo. é bênção demais pra mim…

mas eu sei que, de agora em diante, eu levo a África em mim, pra onde quer que eu vá.

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assim sem fim

minha temporada na África está chegando ao fim, e nesse final de semana eu volto pro Brasil. minha pele está seca, arrebentada, precisando de umidade; mas o meu coração tá em pedacinhos de saber que vou ficar um mês longe do Felipe, de novo.

esses últimos dias aqui tem me servido pra terminar os trabalhos do mestrado que preciso entregar, e acho que hoje, enfim, eu terminei todos eles. nessa semana, minha lente 18-55mm acabou de quebrar o que lhe restava de inteira, e vai ficar aqui, na cabeceira da cama, como se preenchendo um espaço.

nesse momento, estou esperando o Felipe voltar do trabalho pra irmos almoçar. a sorte é que eu resolvi cozinhar uns legumes há umas horas atrás, então tô conseguindo segurar a fome. mas acho que não aguento muito tempo mais não.

ontem fomos jantar em um restaurante que ainda não tinha ido (se tem uma coisa que não falta aqui é restaurante!), e eu gostei bastante do lugar e da comida. na hora em que chegamos, tomei um susto no estacionamento, porque pisei num galho esquisito. achei que fosse um bicho. pra relaxar, tomei uma cervejinha. aí depois tive gastrite.

ainda preciso guardar tudo nas malas, e aproveitar o pouquinho tempo que me resta aqui pra ganhar muito cafuné e abraço. o bom de voltar pro Brasil é que estou com saudade dos meus pais, e já quero logo encontra-los. ficar sem o Felipe só é tolerável com colinho do papai e da mamãe!

Felipe chegou. vai tomar banho e vamos sair pra almoçar. ufa!

de volta ao Zimbabwe

nossas mini-férias pela África acabaram ontem, quando voltamos pra Harare. hoje já escrevi mais um pouco de um trabalho que preciso entregar esse mês – mas não muito, porque ainda estou com preguicinha… meio em ritmo de férias, sabe?

enquanto muito trabalho ainda me espera, tô gastando meu tempo hoje refletindo sobre a nossa viagem e sobre as desigualdades que a África guarda. hoje eu mesma paguei o salário dos dois empregados daqui de casa, e me chocou um pouco pagar a quantia de $200,00 por um mês de trabalho de cada um deles. no Brasil, uma empregada doméstica tem um salário muito melhor do que esse – e me assusta um pouco saber que a Wymbai e o Brighton são muito bem pagos pelos padrões zimbabuanos. quando me dei conta de que o que eu muitas vezes já gastei em uma ida ao shopping nos EUA corresponde ao salário de um mês de um deles, me deu um aperto no coração, e uma revolta imensa desse absurdo que é a desigualdade gerada pelo capitalismo.

mas mais sobre isso depois, porque meu amor chegou do trabalho agora e eu quero aproveitar esse restinho de tempo que me resta aqui com ele.

feliz ano novo! feliz ano todo!

estou em Botswana! passei o réveillon aqui em Gaborone, e ficaremos aqui na casa de amigos até sexta, quando voltamos pra África do Sul, pra mais uns dias de descanso e passeio antes de voltar pra Harare. já passamos uns dias em Johannesburgo e ontem viemos numa road trip pra cá. muito bacana!

em Johannesburgo, já visitamos a casa do Nelson Mandela, no Soweto, e o Museu do Apartheid. aproveitamos pra ir ao cinema e morremos de rir com “Here Comes the Boom”. mas ainda há muito pra se ver por lá!! aqui em Gaborone ainda não deu pra fazer nada, porque ontem chegamos de tardinha e hoje não tem nada aberto. ontem fomos jantar e depois fomos pra uma festinha bacana, e hoje passamos o dia na piscina, comendo churrasco e jogando conversa fora, nesse calor botsuanense.

amanhã devo aproveitar pra conhecer a cidade. a primeira impressão, no caminho da estrada até a casa em que estamos hospedados, é de que parece Harare, mas com um pouco mais de coisas pra se fazer. estou ansiosa pra passear por aí e explorar um pouquinho mais dessa África incrível que estou tendo a oportunidade de conhecer.