Arquivo do mês: dezembro 2012

vidinha pacata em Harare

a intenção era registrar com maior frequência o que está acontecendo por aqui, mas a verdade é que não há mesmo muito o que fazer – ou o que escrever.

a infecção alimentar finalmente acabou, e pudemos ir a alguns bons restaurantes nessa semana: o francês Alô Alô, o sushi bar Mekka, o 360, e o Miller’s de sempre pro almoço rápido quando o Felipe precisa voltar pra Embaixada. tem ainda uns 2 ou 3 bons restaurantes em que podemos ir; acho que vamos jantar fora em algum deles hoje. pro almoço, provavelmente vai ter que ser algo rápido (de novo).

sobre a Embaixada: só ontem fui lá conhecer! é uma casa enooorme, com gente bacana trabalhando (depois de um período complicado por aqui), bandeiras brasileiras no jardim e uma foto da nossa Presidenta Maravilhosa na parede! êta Dilminha querida! o Felipe ainda quer me levar na Residência Oficial, mas não sei exatamente quando iremos lá.

também fomos jogar golfe no Chapman Golf Club essa semana. nunca pensei que eu fosse gostar tanto! pena que não é um esporte muito comum no Brasil. talvez por isso eu tenha gostado, porque as chances de praticar com frequência são mínimas…

nossa ceia de Natal foi na casa do colega de trabalho/amigo do Felipe. a esposa dele preparou uma ceia legal pra gente, com direito a enterro dos ossos no dia 25. eles são muito bacanas e eu fico mais tranquila sabendo que o Felipe tem essas boas companhias pra ajudar a passar por esse período aqui.

no dia de Natal, o Felipe parecia uma criança abrindo os presentes que eu trouxe pra ele! antes de vir, eu combinei com a mãe e a irmã dele de trazer presentinhos delas pra ele, e me encontrei com a irmã dele alguns dias antes de vir pra cá pra trazer tudo. elas mandaram presentes e cartões super carinhosos, e ele não poderia ter ficado mais feliz. eu também ganhei presentes delas – o que foi uma surpresa maravilhosa! e a mamãe e o papai escreveram um cartão pra mim e guardaram dentro da mala sem que eu visse pra que eu abrisse só no dia de Natal. eles também mandaram um presentinho e um cartão pro Felipe – mas o maior presente mesmo foi deixarem eu vir pra cá passar o Natal com o meu amor ❤

quando rolou preguicinha de ir pra restaurante, nos viramos na cozinha em casa mesmo. e eu me aventurei na cozinha! sempre supervisionada, é claro, porque não dá pra confiar, mas até que consegui fazer algumas coisas direitinho! talvez tudo o que eu precise pra cozinhar seja o Felipe do meu lado. hehehe

anteontem fomos ao cinema; assistimos “Rise of the Guardians”. no cinema daqui tem um treco gostoso a beça de colocar na pipoca! é uma mistura de sal com manteiga, mas não é manteiga cremosa, e sim na textura do sal — meio um pózinho. eu não sei explicar direito, mas é bem gostoso!

hoje preciso terminar 2 dos meus trabalhos pro mestrado. amanhã começaremos uma fase nova da minha aventura pela África e não terei mais muito tempo pra estudar. explico: o Felipe resolveu me presentear com uma viagem pra África do Sul e pra Botswana por conta do meu aniversário e do Natal. nem preciso dizer que achei o máximo, que fiquei super emocionada, e que estou super animada pra conhecer mais dois países nessa viagem! ele conseguiu tirar uma semaninha de folga na Embaixada (o famoso recesso de fim de ano) e planejou essa viagem. aí de fato poderemos “turistar” um pouquinho, já que aqui em Harare não há nada de muito turístico pra fazer.

tô aproveitando essa paz pra descansar um pouquinho, recarregar as baterias, e desacelerar do ritmo louco que ditou o ano de 2012. durmo cedo, acordo tarde, vejo muitos filmes, e ganho muito cafuné. não dá pra reclamar! não mesmo!

n’África!

estou em Harare!

depois de quase 2 meses sem ver o meu amor, e depois de muito penar lá no mestrado pra conseguir ser liberada, eu vim pra África!

mas, como nada nessa vida é fácil, não tem nem 24 horas que cheguei aqui e muita coisa já aconteceu. vamos por partes que é pra ver se eu não esqueço de registrar nada.

meus vôos eram GIG > EZE, EZE > JNB, JNB > HRE. saí do Galeão 9h50 de quarta feira, chegando em Buenos Aires pouco depois do meio dia (hora local, fuso -1h com relação ao Brasil). meu vôo pra Johannesburgo sairia depois das 17h, então eu tinha bastante tempo pra almoçar, passear pelo free shop, essas coisas. como eu sou faminta, comi dois sanduíches – um de carne e um de salaminho. provavelmente a escolha mais errada dos últimos tempos. antes de embarcar, ainda tomei uma Quilmes e comi um alfajor. tentei estudar um pouco enquanto esperava; e, enfim, embarquei.

o vôo pra Johannesburgo foi uma merda. não fossem os muitos filmes na tv individual (amem!!!), eu tava fodida. fiquei sentada cercada por uma família de chineses muito mal educados que conversaram alto a noite inteira, desrespeitando completamente a vontade alheia de (tentar) dormir. além disso, duas crianças bem pequenas integravam esse grupo, e elas choraram MUITO ALTO quase o vôo inteiro. eu ❤ crianças, mas não quando elas berram e choram no meu ouvido. educação, gente!

naturalmente, não dormi nada. cheguei morta em Johannesburgo e, depois dos trâmites de visto de trânsito, raio-x, essas coisas, faltava pouco mais de 30min até o meu embarque pra Harare. comprei correndo um cappuccino pra ver se dava uma acordada, e rumei pro portão.

contando as horas pra chegar logo aqui, comecei a ficar bem ansiosa porque o vôo começou a atrasar. depois de quase meia hora de atraso do vôo, comunicaram que, ao invés de sair as 10h30, sairíamos de JNB pra HRE as 14h. e lá foi a Letícia deixar umas doletas no free shop incrível de JNB!

almocei, claro, mas não consegui comer muito. estava meio enjoada. pensei que tivesse sido por conta das turbulências. ledo engano.

finalmente, depois de um vôo razoavelmente tranquilo, pousei em Harare pouco antes das 4 da tarde. mesmo antes da imigração (aliás, quanta demora!), já vi o Felipe, que me esperava onde ninguém pode esperar, porque ele é incrível, meu herói ❤

fiquei puta quando peguei minhas malas e elas estavam mais do que violadas. uma delas ficou sem zíper, e a outra, mais novinha (e mais cara), teve um dos lados em que colocamos o cadeado arrebentado. isso é um absurdo, porque eu sempre usei os cadeados TSA porque tem chaves mestras no mundo inteiro, justamente pra não precisarem arrebentar minha mala! e ainda por cima roubaram os cadeados. filhos da puta.

mas nada, nem isso, poderia acabar com a alegria de estar de novo junto do meu amor.

chegando em casa, já me apaixonei pelos jardins e pela quantidade de verde. os grilos, as corujinhas, todos eles pareciam saudar a minha chegada. como eu estava morta de cansaço, decidimos fazer uma pipoca e ver um filminho em casa ao invés de jantar fora. pouco depois, sucumbi ao sono, e dormi.

só que se engana quem acha que o dia acaba aí.

por volta de meia noite, acordei super enjoada, e vomitei um tanto do lado da cama. depois, continuei vomitando no banheiro. tomei banho, e achei que não vomitaria mais. só que eu acordei mais umas 5 vezes pra vomitar muito mais ao longo da noite, e também comecei a ter diarréia.

a culpa? os sanduíches de Buenos Aires.

hoje de manhã, quase sem forças, fui levada à médica pelo Felipe que, muito preocupado, não foi trabalhar hoje. a doutora, muito paciente e bacana, deu o diagnóstico: como eu já suspeitava, era infecção alimentar.

já comprei um catatau de remédio, inclusive antibiótico, e já tô começando a tomar. o almoço teve que ser batata e cenoura cozidas, porque não aguento nada mais do que isso. o enjôo já melhorou e a diarréia parece ter acabado.

estou cansada porque não durmo bem há 3 dias, e ainda por cima estou desidratada por conta dessa infecção alimentar. os planos que tínhamos pra hoje foram pro saco, e tenho que vigiar minha alimentação por alguns dias.

no entanto, “frustração” não faz parte do nosso vocabulário, e já começamos uma maratona de Batman com muita água e Coca Cola (recomendações médicas!!), aproveitando o que realmente importa: estamos juntos!

do jeitinho que as coisas acontecem, pt.2

– mãe, posso comprar um skate?

– se você comprar um skate, eu vendo o seu carro.

– nããão nããããão nãããããããão! não quero mais skate não!

true story.