TNP: só tinha de ser com você

quanto mais eu estudo, mais eu vejo que todos nós somos constantemente desafiados pelas surpresas e pelas adversidades que aparecem no curso de uma pesquisa, que muitas vezes acabam por nos fazer acordar pra novas possibilidades – óbvias ou não.

aconteceu comigo, e é por isso que eu vou registrar isso aqui.

lá nos idos de 2006, quando eu ainda achava que ia cursar a Faculdade de Direito e, algum dia, ser juíza, uma tal de Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) mudou toda a minha vida: foi por conta dela que eu decidi mudar pra Relações Internacionais e perseguir a carreira diplomática (tenho fé de que um dia eu ainda chego lá). descobri o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), e acabei me aprofundando tentando me aprofundar nas muitas discussões acerca do uso da energia nuclear, a importância dos Tratados e Acordos sobre o tema, as polêmicas, as diferenças, o clube nuclear (aka P5), o terrorismo nuclear, etc. aprendi até um bocadinho sobre materiais físseis, e essas coisas mais técnicas que dão nó na cabeça da gente.

porque a vida tem seu próprio curso, porque Deus sabe o que faz, na graduação eu acabei optando por escrever minha monografia sobre a integração européia à luz da Guerra Fria, deixando um pouquinho a questão nuclear de lado (mas nem tanto, porque, mesmo meu orientador – beijo, Yoda! – falando que não precisava e que eu era muito teimosa, eu acabei dedicando algumas páginas do meu trabalho à questão nuclear – até porque, vai, não tem como falar de Guerra Fria sem falar de armas nucleares).

e aí eu passei pro mestrado, e mandei uma proposta de pesquisa que eu achava que seria legal: identificar a influência da Guerra Fria na Política de Defesa Nacional e depois na institucionalizada Estratégia Nacional de Defesa. a lógica seria de continuidade pelo aspecto da Guerra Fria, e eu pesquisaria as questões de defesa do Brasil, como é necessário.

aí começou a sucessão de surpresas.

minha proposta foi aceita pelo programa de mestrado, e eu tava feliz da vida saltitante porque ia pesquisar isso. aí, um belo dia, um dos meus profs disse que adoraria que alguém da minha turma pesquisasse questões nucleares, e aí meus olhinhos brilharam, e depois de conversarmos, combinamos que ele seria daí pra frente meu orientador, e que eu arrumaria um tema relacionado à energia nuclear pra escrever a minha dissertação.

pois bem. um belo dia lá foi Letícia pra Escola de Guerra Naval (EGN) assistir a uma palestra sobre a defesa do Atlântico Sul e o submarino nuclear, e aí clicou que eu devia pesquisar isso. escrevi meu pré-projeto de pesquisa todo com base nessa temática, entreguei como requisito de aprovação na disciplina de Metodologia, e estávamos todos felizes com isso.

só que aí eu fui pra Londres, e a formiguinha da Guerra Fria voltou a se manifestar dentro de mim. a vontade de pesquisar algo mais relacionado com o período foi tão grande, mas tão grande, que uma nova ideia surgiu.

nova, mas não inteiramente nova.

a ideia foi, na verdade, uma volta às raízes, uma volta ao que me motivou cursar Relações Internacionais, e ao que faz meus olhos brilharem quase tanto quanto Harry Potter (veja bem, quase).

voltei pro TNP, que é um grande reflexo da Guerra Fria. conversei com meu orientador há uns dias, que aceitou a minha maluquice, e desde então venho trabalhando nessa nova velha proposta, que tanto me dá alegria e me faz tão feliz.

é, TNP. só tinha de ser com você. não tinha como eu te abandonar pra sempre, nem negar nosso caso de amor. nesses próximos 18 meses (é isso mesmo, produção?) or so, nosso relacionamento vai ficar cada vez mais sério, e eu vou mergulhar cada vez mais fundo nesse romance que já dura 6 anos.

lógico que eu tô tendo que correr atrás do prejuízo, tô tendo que escrever todo um novo projeto de pesquisa, e a correria contra o tempo me deixa bem ansiosa. é um grande desafio, e a concentração total das minhas forças nisso me exige muito mais do que as vezes eu acho que aguento, mas só de saber que a minha dissertação vai englobar tantos assuntos que eu gosto, tantas perspectivas bacanas, que me dá uma alegria imensa, e a certeza de que agora vai!

eu finalmente vou poder ler todos os meus livros que eu acumulei durante os anos – e todos os outros que eu ainda vou comprar – sem me sentir culpada por estar gastando um tempo com uma coisa que, no fim das contas, eu não vou poder produzir algo relacionado a esse tema. finalmente eu vou poder respirar energia nuclear, e armas nucleares, e política nuclear, e Guerra Fria 24 horas por dia!

acho que todo mundo que pesquisa alguma coisa acaba passando por isso, essa mudança; na minha turma mesmo, por exemplo, vários amiguinhos já mudaram seus temas desde março. no entanto, acho que eu fui a única a mudar de tema 2 vezes.

fazer o quê. eu nunca gostei muito desse negócio de ser normal mesmo.

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