vestir-se: exercício diário

tenho feito um exercício nos últimos tempos: todos os dias tenho fotografado meus looks do dia, postando-os (ou não) no instagram, esse vício delicioso, as vezes postando-os no lookbook.nu, ou simplesmente arquivando-os logo depois no computador. esse exercício tem sido importante pra mim por vários motivos, e é por isso que eu estou refletindo sobre isso nessas linhas tortas. eu acho que nem vou conseguir registrar direito tudo o que tenho aprendido, mas vou tentar, que é pra não esquecer de continuar a fazer esse exercício.

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acontece que, desde que comecei a fazer esses registros, tenho tentado sair um pouco mais da minha zona de conforto (leia-se: jeans), e tentar criar, a partir do meu armário, looks divertidos e que reflitam, muito mais do que tendências ou modismos, o meu verdadeiro estilo.

mix estampas: flores

e aí eu percebi que eu não conseguiria definir o meu estilo de uma maneira simples. não pela falta dele, mas porque meu armário é tão abençoado por Deus recheado de peças fantásticas acumuladas durante os anos (consumista, eu? imagina) que se misturam de tantas formas pra atender a tantas situações diferentes, que eu não sei se existe um estilo definido pra mim.

mix estampas: xadrez + praça

eu acho que eu tenho sempre me aproximado de algo mais preppy, geek, com um pezinho no grunge. desde que entrei no mestrado, tenho buscado me vestir de uma maneira “adequada”, sem deixar de incluir nos looks mais conservadores essas pitadas de humor que acabam demonstrando qual é o nosso próprio estilo. esse imediato look aqui em cima eu fui pra aula há uns dias atrás, e depois fui jantar com meus amigos. acho que, se não fosse o padrão prezando pelo preto e verde, e a meia calça, ele seria quase impróprio pra ir a aula; mas, com as devidas precauções tomadas, foi uma roupa adequada e confortável, que, bem humorada, mostrou exatamente como eu estava me sentindo naquele dia. e como eu estava me sentindo naquele dia? meio grunge (xadrez + All Star de spikes), meio fofinha (saia de estampa delicada e babados).

red & blue: xadrez e caveirinhas

smurf

red & blue: keep calm and carry on

teve uma semana em que eu usei muito azul. e eu tenho certeza de que só notei isso porque estava registrando os looks. aliás, foi uma semana em que reinou o combo jeans + azul nas minhas roupas. porque a verdade é que eu não deixei de usar jeans (praticidade é amor, minha gente), mas eu tenho buscado diversificar ao máximo esse uso, pra não ficar com cara de uniforme da época do colégio, mas refletir a nova fase da minha vida (olha só isso, gente, eu achando que tô all grown up e arrasando na vida, enquanto uso uma blusa dos Smurfs).

e aí veio o desafio de ter que sair de óculos porque a lente de contato ficou velha demais e começou a irritar meus olhos e eu já não aguentava passar muito mais do que 30min com elas. desde o ano passado muito de vez em quando eu saio de óculos, mas sempre combinando com um batom bem escuro pra ficar uma misturinha de geek com glamour. só que não dá pra ir pra aula com um batom bem escuro nem às 10 da manhã ou às 2 da tarde. como eu ia lidar?

I belong to the blank generation

preppy: cardigan + pólo + xadrez

simples: encarando a verdade como ela é. já que não dá pra fugir dos óculos, agucei meu lado geek e tenho saído por aí usando camisas estampadas, ou fazendo combinações que me fazem parecer totalmente preppy. só que nem o preppy foge das misturinhas de estampas e padrões (listras + xadrez + flores) que, provavelmente em outra época, eu não teria coragem de usar.

preguicinha matutina: plush pants

é lógico que as tendências e os modismos interferem na nossa maneira de pensar sobre as roupas que vestimos. eu certamente tenho olhado meu armário de uma forma mais crítica, me exigindo esse exercício diário de, até quando estou com preguicinha, me vestir de uma maneira que reflita o que eu sou, como estou me sentindo, e qual o meu estilo. porque estilo, na verdade, não é somente o que você veste, mas o que demonstra as suas vivências da maneira mais adequada possível. porque até uma calça de plush bem confortável pode ser adequada pra ir pra aula se as peças forem usadas de forma que não pareça que eu acordei e me vesti em 5 minutos, ou que estava com preguiça de pensar em qualquer outra coisa pra vestir. mais importante do que usar uma tendência, é saber se ela combina com você ou não, e se ela pode ser incorporada ao seu estilo de vida sem que você se torne uma caricatura do que “está na moda”.

uma coisa que me incomoda profundamente e que está na moda é a tal transparência. eu simplesmente não consigo usar, acho que sou conservadora demais pra isso. não é que eu ache transparência coisa de puta vulgar, porque tem muita gente que consegue usar com dignidade. só que a transparência tem um apelo sexy evidente demais pra ser negado. e eu simplesmente não sou sexy – e nem tenho pretensão de ser. outro dia fui comprar um vestido para uma ocasião especial. acompanhada pela mamãe, fui pra uma das minhas lojas favoritas em busca de um vestido que eu amasse do fundo do meu coração e que fosse adequado pra ocasião. escolhi alguns e levei pra cabine. enquanto experimentava, mamãe trouxe um lindo vestido rendado de manga comprida, cujo comprimento da saia ficava acima do joelho, pra que eu visse – e vestisse. até aí, tudo bem. o problema era que o vestido era todo transparente – não tinha forro nenhum naquela renda toda, só um macaquinho do mesmo tom de azul pra usar por baixo. na hora em que vi aquele vestido, tive certeza de que ele ficaria lindo em qualquer pessoa, menos em mim. não queria nem vesti-lo, mas a mamãe insistiu tanto, que cedi. arranquei suspiros de metade da loja, e mamãe queria porque queria que eu comprasse o tal vestido. só que eu não me sentia nem um pouco eu nele. era qualquer pessoa, menos eu. na mesma hora em que tirei, as outras clientes da loja se digladiaram pra ver quem teria a oportunidade de experimentá-lo e eventualmente comprá-lo, enquanto eu experimentava feliz um modelo que combinava muito mais comigo – sem transparências, é claro. talvez em alguns anos eu consiga usar uma roupa similar; mas, hoje, transparência não combina comigo. outra coisa que eu não curto muito é decote. sei lá. talvez seja só uma fase, mas essas minhas convicções já duram uns 22 anos.

t-shirt + trench coat + jeans + sneakers

vestir-se é um exercício diário (seja uma ou três vezes ao dia, dependendo de quantas vezes for necessário adequar-se às ocasiões), que exige uma certa paciência e uma dose de bom humor. o processo de escolha de uma roupa muda se sabemos que um cinto pode transformar o combo jeans + t-shirt numa roupa mais interessante, se entendemos que um óculos escuros pode ser mais do que uma proteção contra os raios UV, se percebemos que podemos nos expressar através do que vestimos. vestir-se é termos menos medo de ousar e nos permitirmos deixar que o mundo veja o que somos.

tenho percebido que, ao me vestir, me pergunto: quem eu sou? essa roupa mostra o que eu sou? essa roupa fala de mim? como estou me sentindo hoje? e eu tenho aprendido duas coisas muito importantes nesse exercício: não se trata de tentar ficar linda todo dia, mas sim de sentir-se bem; e não podemos ter medo de arriscar, porque as possibilidades são muitas!

descobri que escolher o que vou vestir é muito bacana. sabe aquela sensação gostosa de comprar roupa nova, sapato novo, acessórios novos? eu descobri que sinto a mesma alegria em escolher peças do meu armário. é quase como brincar de Barbie – só que a boneca que tem que ser vestida sou eu.

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