Arquivo do mês: junho 2012

walk

desde que eu me entendo por gente, eu sonho em ir a Londres. ao longo dos anos, essa vontade foi potencializada por motivos como o rock n’roll, Harry Potter, história das guerras, etc (não necessariamente nessa ordem).

eu acreditei, por muitos anos, que o primeiro lugar na Europa que visitaria seria Londres, por conta dessa minha fascinação. acontece que a vida tem seu próprio curso, e Deus sabe o que faz, e eu acabei indo primeiro à Genebra e a Paris, em 2009, e passando uma noite em Madrid, em 2011. na verdade, eu já viajei muito mais do que eu um dia sonhei, e não dá pra reclamar de não ter ido pra Londres até agora.

acontece que, no ano passado, foi anunciado que, na primavera (do Hemisfério Norte) deste ano Leavesden seria aberto à visitação do público sob o nome de WB Studio Tour: The Making of Harry Potter. imediatamente eu surtei, pulei, gritei: quantas vezes eu tinha sonhado em visitar os estúdios onde, por 10 anos, a magia se tornou real? eu simplesmente tinha que ir lá tão logo fosse possível.

foi no ano passado, mas lembro-me com nitidez: papai, mamãe e eu, os 3, sentados na sala, assistindo tv. entre uma coisa e outra, pedi a eles que me deixassem ir ao Reino Unido em 2012. argumentei que não aguentava mais esperar pra visitar o lugar com o qual tanto sonhei, e que visitar os estúdios onde filmaram Harry Potter era da mais alta importância pra mim. pedi pra deixarem que eu fosse pra Londres, e ficasse uns 3 ou 4 dias por lá, nada muito absurdo, mas que eu queria ir lá em 2012, mais especificamente depois de março (ou seja: teria que ser nas férias do mestrado). eles me olharam com aquela cara que sempre me olham quando eu peço alguma coisa meio absurda, meio possível; disseram que iam pensar. no dia seguinte, no café da manhã, eles me propuseram que, ao invés de ficar 3 ou 4 dias por lá, procurasse um curso que pudesse acrescentar alguma coisa ao meu currículo (lattes e vitae, no sentido mais amplo da palavra), e que eles avaliariam as possibilidades das duas propostas de viagem.

foi aí o turning point da minha história. comecei a procurar cursos e possibilidades em todas as universidades de Londres e redondezas, e logo achei um que casava perfeitamente com meus objetivos e meus interesses: realizado pelo departamento de estudos de guerra da King’s College, seria oferecido nesse verão o curso chamado “Change & Continuity: World Politics since 1945“.

eu fiquei eufórica. apresentei essa proposta pros meus pais, que concordaram – desde que não atrapalhasse nas aulas do mestrado, é claro. mas só de saber que eles queriam deixar que eu passasse não 3 ou 4 dias, mas quase um mês inteiro estudando em Londres, eu chorei de felicidade. uma viagem dos sonhos estava se tornando algo palpável.

comecei as aulas no mestrado, e, pouco tempo depois, abriram-se as inscrições pra summer school. submeti todos os documentos requisitados, e esperei por uma resposta. sem muita demora, ela chegou: eu tinha sido aprovada. conversei com os profs no mestrado pra saber se não perderia nenhuma aula, e todos eles me incentivaram muito a ir. chegando em casa, devo admitir que chorei mais um bocado. era oficial: eu realmente ia vou pra Londres.

eu vou mesmo pra Londres. eu vou mesmo visitar o lugar onde a magia acontecia. eu vou até dar uma esticada até Edinburgh pra conhecer a cidade (e o pub!) onde JK Rowling escreveu o primeiro livro de uma série que há 15 anos é parte da minha vida.

confesso que não foi nada fácil abrir mão do meu posto de guia da Point pra Orlando. desde 2008, eu não sei o que é passar férias sem ir pra Flórida. desde 2008, todas as minhas férias foram de pura diversão, de dias inteiros em montanhas russas, de parques temáticos, de parques aquáticos, de calor em julho, de frio em janeiro (ou dezembro, por muita sorte e puro amor dos meus pais em 2010); desde 2008, minhas férias foram só felicidade. eu não sei o que faria pra poder ir pra Orlando e ainda assim ir pra Londres. mas a verdade é que a vida é uma sequência de escolhas, e eu escolhi realizar mais um sonho de vitae – e, de quebra, melhorar meu lattes (#bolsistasofre). e vamos combinar que eu acho que essas férias, por mais que eu as ocupe com um curso com uma carga horária razoavelmente puxada, serão bem divertidas.

depois de muita preparação (que começou com a compra do ingresso do WB Studio Tour, passou pelo pagamento do curso, da acomodação e das passagens, e terminou com o fechamento das malas), finalmente chegou o dia de ir pro aeroporto pra acordar amanhã na terra da Rainha.

eu devo confessar que a ficha ainda não caiu. mesmo com todas essas informações, mesmo toda hora me beliscando e tentando me convencer de que eu não estou sonhando, tudo parece muito surreal pra mim.

eu tive um semestre de cão, junho foi um mês super tenso, mas isso tudo acaba hoje. hoje eu vou embarcar no avião da British Airways e vou deixar pra trás todas as preocupações e todas as tristezas de um semestre muito louco. tudo bem que, enquanto estiver lá, eu tenho que escrever 3 trabalhos do mestrado; tudo bem que eu terei aulas das 9am as 5pm de segunda a quinta, e ainda terei que escrever um trabalho pra entregar no final das aulas; tá tudo bem, porque hoje eu vou pra Londres. tá tudo bem, porque eu vou passar o mês de julho em Londres. tá tudo bem, porque eu tenho certeza de  que julho será incrível.

learning to walk again. I believe I’ve waited long enough… where do I begin? learning to talk again. can’t you see I’ve waited long enough? where do I begin?

desabafo

tô cansada.

tô cansada a ponto de não conseguir respirar.

esse semestre foi muito difícil – e ainda não acabou. junho não tá sendo nada fácil, mas espero que logo logo as coisas melhorem.

a verdade é que eu tô estressada.

tô precisando de descanso, de colo, de cafuné; tô precisando de novos ares, tô precisando de ar puro.

tô cansada.

vestir-se: exercício diário

tenho feito um exercício nos últimos tempos: todos os dias tenho fotografado meus looks do dia, postando-os (ou não) no instagram, esse vício delicioso, as vezes postando-os no lookbook.nu, ou simplesmente arquivando-os logo depois no computador. esse exercício tem sido importante pra mim por vários motivos, e é por isso que eu estou refletindo sobre isso nessas linhas tortas. eu acho que nem vou conseguir registrar direito tudo o que tenho aprendido, mas vou tentar, que é pra não esquecer de continuar a fazer esse exercício.

Fashion Rio: clique gwsmag.com

acontece que, desde que comecei a fazer esses registros, tenho tentado sair um pouco mais da minha zona de conforto (leia-se: jeans), e tentar criar, a partir do meu armário, looks divertidos e que reflitam, muito mais do que tendências ou modismos, o meu verdadeiro estilo.

mix estampas: flores

e aí eu percebi que eu não conseguiria definir o meu estilo de uma maneira simples. não pela falta dele, mas porque meu armário é tão abençoado por Deus recheado de peças fantásticas acumuladas durante os anos (consumista, eu? imagina) que se misturam de tantas formas pra atender a tantas situações diferentes, que eu não sei se existe um estilo definido pra mim.

mix estampas: xadrez + praça

eu acho que eu tenho sempre me aproximado de algo mais preppy, geek, com um pezinho no grunge. desde que entrei no mestrado, tenho buscado me vestir de uma maneira “adequada”, sem deixar de incluir nos looks mais conservadores essas pitadas de humor que acabam demonstrando qual é o nosso próprio estilo. esse imediato look aqui em cima eu fui pra aula há uns dias atrás, e depois fui jantar com meus amigos. acho que, se não fosse o padrão prezando pelo preto e verde, e a meia calça, ele seria quase impróprio pra ir a aula; mas, com as devidas precauções tomadas, foi uma roupa adequada e confortável, que, bem humorada, mostrou exatamente como eu estava me sentindo naquele dia. e como eu estava me sentindo naquele dia? meio grunge (xadrez + All Star de spikes), meio fofinha (saia de estampa delicada e babados).

red & blue: xadrez e caveirinhas

smurf

red & blue: keep calm and carry on

teve uma semana em que eu usei muito azul. e eu tenho certeza de que só notei isso porque estava registrando os looks. aliás, foi uma semana em que reinou o combo jeans + azul nas minhas roupas. porque a verdade é que eu não deixei de usar jeans (praticidade é amor, minha gente), mas eu tenho buscado diversificar ao máximo esse uso, pra não ficar com cara de uniforme da época do colégio, mas refletir a nova fase da minha vida (olha só isso, gente, eu achando que tô all grown up e arrasando na vida, enquanto uso uma blusa dos Smurfs).

e aí veio o desafio de ter que sair de óculos porque a lente de contato ficou velha demais e começou a irritar meus olhos e eu já não aguentava passar muito mais do que 30min com elas. desde o ano passado muito de vez em quando eu saio de óculos, mas sempre combinando com um batom bem escuro pra ficar uma misturinha de geek com glamour. só que não dá pra ir pra aula com um batom bem escuro nem às 10 da manhã ou às 2 da tarde. como eu ia lidar?

I belong to the blank generation

preppy: cardigan + pólo + xadrez

simples: encarando a verdade como ela é. já que não dá pra fugir dos óculos, agucei meu lado geek e tenho saído por aí usando camisas estampadas, ou fazendo combinações que me fazem parecer totalmente preppy. só que nem o preppy foge das misturinhas de estampas e padrões (listras + xadrez + flores) que, provavelmente em outra época, eu não teria coragem de usar.

preguicinha matutina: plush pants

é lógico que as tendências e os modismos interferem na nossa maneira de pensar sobre as roupas que vestimos. eu certamente tenho olhado meu armário de uma forma mais crítica, me exigindo esse exercício diário de, até quando estou com preguicinha, me vestir de uma maneira que reflita o que eu sou, como estou me sentindo, e qual o meu estilo. porque estilo, na verdade, não é somente o que você veste, mas o que demonstra as suas vivências da maneira mais adequada possível. porque até uma calça de plush bem confortável pode ser adequada pra ir pra aula se as peças forem usadas de forma que não pareça que eu acordei e me vesti em 5 minutos, ou que estava com preguiça de pensar em qualquer outra coisa pra vestir. mais importante do que usar uma tendência, é saber se ela combina com você ou não, e se ela pode ser incorporada ao seu estilo de vida sem que você se torne uma caricatura do que “está na moda”.

uma coisa que me incomoda profundamente e que está na moda é a tal transparência. eu simplesmente não consigo usar, acho que sou conservadora demais pra isso. não é que eu ache transparência coisa de puta vulgar, porque tem muita gente que consegue usar com dignidade. só que a transparência tem um apelo sexy evidente demais pra ser negado. e eu simplesmente não sou sexy – e nem tenho pretensão de ser. outro dia fui comprar um vestido para uma ocasião especial. acompanhada pela mamãe, fui pra uma das minhas lojas favoritas em busca de um vestido que eu amasse do fundo do meu coração e que fosse adequado pra ocasião. escolhi alguns e levei pra cabine. enquanto experimentava, mamãe trouxe um lindo vestido rendado de manga comprida, cujo comprimento da saia ficava acima do joelho, pra que eu visse – e vestisse. até aí, tudo bem. o problema era que o vestido era todo transparente – não tinha forro nenhum naquela renda toda, só um macaquinho do mesmo tom de azul pra usar por baixo. na hora em que vi aquele vestido, tive certeza de que ele ficaria lindo em qualquer pessoa, menos em mim. não queria nem vesti-lo, mas a mamãe insistiu tanto, que cedi. arranquei suspiros de metade da loja, e mamãe queria porque queria que eu comprasse o tal vestido. só que eu não me sentia nem um pouco eu nele. era qualquer pessoa, menos eu. na mesma hora em que tirei, as outras clientes da loja se digladiaram pra ver quem teria a oportunidade de experimentá-lo e eventualmente comprá-lo, enquanto eu experimentava feliz um modelo que combinava muito mais comigo – sem transparências, é claro. talvez em alguns anos eu consiga usar uma roupa similar; mas, hoje, transparência não combina comigo. outra coisa que eu não curto muito é decote. sei lá. talvez seja só uma fase, mas essas minhas convicções já duram uns 22 anos.

t-shirt + trench coat + jeans + sneakers

vestir-se é um exercício diário (seja uma ou três vezes ao dia, dependendo de quantas vezes for necessário adequar-se às ocasiões), que exige uma certa paciência e uma dose de bom humor. o processo de escolha de uma roupa muda se sabemos que um cinto pode transformar o combo jeans + t-shirt numa roupa mais interessante, se entendemos que um óculos escuros pode ser mais do que uma proteção contra os raios UV, se percebemos que podemos nos expressar através do que vestimos. vestir-se é termos menos medo de ousar e nos permitirmos deixar que o mundo veja o que somos.

tenho percebido que, ao me vestir, me pergunto: quem eu sou? essa roupa mostra o que eu sou? essa roupa fala de mim? como estou me sentindo hoje? e eu tenho aprendido duas coisas muito importantes nesse exercício: não se trata de tentar ficar linda todo dia, mas sim de sentir-se bem; e não podemos ter medo de arriscar, porque as possibilidades são muitas!

descobri que escolher o que vou vestir é muito bacana. sabe aquela sensação gostosa de comprar roupa nova, sapato novo, acessórios novos? eu descobri que sinto a mesma alegria em escolher peças do meu armário. é quase como brincar de Barbie – só que a boneca que tem que ser vestida sou eu.

porque Everlong tem que ser sempre a última música nos shows do Foo Fighters

Na última segunda feira eu fiz a maluca e comprei de uma vez só todos os quatro DVDs do Foo Fighters disponíveis na Saraiva (digo isso porque na Amazon tem o show que eles fizeram há anos no Hyde Park e eu tenho esperança de conseguir comprar também esse registro em DVD em breve): Everywhere but Home, Skin and Bones, Live at Wembley Stadium e Back and Forth.

Nesse exato momento, estou terminando de assistir ao Live at Wembley Stadium. Foi um puta show, com a presença de nada mais nada menos do que 86 mil pessoas, e a participação especial de ninguém mais do que Jimmy Page e John Paul Jones (fuckin’ Led Zeppelin members/legends). Ou seja: it’s no ordinary concert.

Só que nesse show “Everlong” (que é só uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos) não é a última música. No DVD Everywhere But Home, no show de Toronto, o próprio Dave Grohl (aka o cara mais irado do mundo) diz, quando a platéia clama por “Everlong”: “we’re gonna play ‘Everlong’, but ‘Everlong’ is usually our last song. Do you want us to play ‘Everlong’?” e a platéia responde com um sonoro “NOOOOOO!” Mas, é claro, eles eventualmente tocam “Everlong” e o show acaba – e eu ponho outro DVD que é pro sofrimento não começar ou não acabar (depende do ponto de vista).

Mas, como eu ia dizendo, no Live at Wembley Stadium, “Everlong” não é a última música. A última música é “Best of You”. E, por mais que seja uma música incrível, simbólica, e que eu também amo de paixão, não tem o mesmo efeito que “Everlong”.

A verdade é que, depois de “Everlong”, qualquer música parece pointless. E é por isso que ela é usually their last song.

Tudo bem que tem uma forte carga emocional nisso tudo que eu tô dizendo – mas eu avisei, eu enunciei ali em cima que “Everlong” é uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos. Mas é que é inevitável lembrar como foi perfeito o final do show do Foo Fighters no Lollapalooza. “Everlong” parecia que duraria pra sempre, que seria everlong aquele show. E, ao fim dela, eu chorava, chorava, e abracei tanto o meu chaveirinho, e parecia que aquele dia seria o dia da marmota, e não teria fim. Não consigo nem dizer o quanto o dia 07 de abril de 2012 é importante pra mim.

E eu acabei de me dar conta de que ainda não tinha escrito absolutamente nada aqui sobre a minha ida ao Lollapalooza e sobre o show indescritivelmente foda do Foo Fighters.

Mas então. É lógico que “Everlong” tem que ser sempre a última música nos shows do Foo Fighters. Nenhuma outra música deles – nem “Best of You”, nem “Walk”, nem qualquer outra – tem a carga emotiva de “Everlong”. Nenhuma outra música do Foo Fighters consegue começar com acordes tão simples, e tão bonitos e fazer todo o povo cantar por longos minutos acompanhados somente pela guitarra sem muitas distorções.  Nenhuma outra música do Foo Fighters pode ser a última, porque nenhuma outra música é remotamente tão maravilhosa quanto “Everlong”.

E olha que foram momentos incríveis em “Walk” e “Best of You” no Lollapalooza. Aliás, o show foi todo incrível, com participação da Joan Jett e nada mais nada menos do que “Bad Reputation” e “I love Rock and Roll” numa sequência foda e ensurdecedora e enlouquecedora, e todas as músicas mais amadas da banda, e um cover puro amor de “In the Flesh”. Mas “Walk” foi linda demais, e eu chorei com essa música que é quase uma oração, e “Best of You” foi incrível, porque a gente simplesmente não parava de cantar, e a música que já é enorme ficou maior ainda, e vários fãs levaram papéis escritos “OH” e levantaram e foi aquele mar de papéis levantados enquanto cantávamos “OOOOOH OOOOOOOOH!” e foi lindo demais. Mas não tem jeito, “Everlong” foi a mais linda, precedida da promessa de que eles voltariam logo ao Brasil. “Everlong” é, foi, e sempre será a música mais linda e mais adequada pra fechar os shows do Foo Fighters.

Eu sonho com o dia em que vou poder vê-los outra vez ao vivo. Tenho certeza de que farei sempre o possível para vê-los quando houver oportunidade. E quero cantar e chorar de novo quando o fim do show chegar, e os caras começarem tocar “Everlong”. E vou cantar junto de novo, e chorar de novo quando “Everlong” acabar. De preferência, quero ver Foo Fighters sempre com meu chaveirinho do lado, pra que ele me abrace antes, durante e depois de “Everlong”, como se fosse a primeira vez, naquele 07 de abril de 2012.

UPDATE: só pra dar mais força ao meu ponto, “Everlong” é uma música tão foda que é a única com 2 versões no álbum Greatest Hits, a original e acústica, sendo que a versão acústica fecha o álbum. Puro amor sim ou com certeza?