o primeiro mês sem você

passado o primeiro mês desde que você se mudou pro Zimbábue, já pudemos ter uma ideia do que nos aguarda até que 2014 traga você de volta pra mim.

estamos usando a internet a nosso favor, de todas as formas possíveis. você logo providenciou um 3g no celular, o que é uma mão na roda.  é whatsapp o máximo possível, é viber pra conversar quando os videochats do gtalk ou do facebook travam demais. é bateria que acaba enquanto você está acordado, é quase descaso com o iPhone quando sei que você já está dormindo.

nos emails diários, são fotos vindo daí pra cá, com partes do seu dia; são vídeos daqui praí com músicas escolhidas com carinho pra dar continuidade às mixtapes que eu fiz pra você quando eu jurava que eu ia conseguir me controlar porque eu sabia que não ia aguentar sentir saudade de você como nada além de um amigo.

eu acho graça como eu sou tão inocente.

tem as declarações e juras de amor, countdown, e as pequenas maluquices pra trazer mais conforto à nossa guerra. também tem as várias promessas e, claro, os planos, os muitos planos pra quando pudermos estar juntos de novo. entre as minhas esperanças, a mais forte delas é a de que todos esses planos se tornem realidade, e que todas as promessas sejam cumpridas.

o engraçado é que, nesse primeiro mês sem você, por mais que a distância física seja real, não há um segundo em que eu não sinta a sua forte presença junto de mim. é quase como se eu pudesse sentir seus abraços e seus afagos – quando, por exemplo, você se preocupa com a minha saúde deficiente e com os meus acidentes diários, ou quando eu estou chorosa demais (porque eu sou assim mesmo e você sabia da fria em que estava entrando). naturalmente, não há como negar que há um Oceano Atlântico entre nós, e que o mais provável é que até 2014 assim seja na maior parte do tempo, eu aqui e você aí, mas é que eu finalmente consigo entender o que é sentir algo tão forte que nem a distância pode tornar ralo.

é forte, mas é foda ficar sem você.

e tem horas que eu não aguento, e peço pra você voltar, por mais que eu saiba que isso é impossível. e aí as suas reações são diversas: ora você me diz pra tentar ocupar minha cabeça o máximo possível com as coisas que tenho ao meu dispor, me incentiva a aproveitar a companhia dos meus parentes e amigos, a passear e aproveitar o máximo que posso; ora você me pede pra ir praí. eu tenho aproveitado as coisas nesse último mês o máximo que eu pude, só que não há nada que eu faça que não me lembre de você, que não me dê uma vontade imensa de ter você por perto. e é nessas horas que me dá uma vontade indescritível de simplesmente largar tudo e ir ser feliz no Zimbábue com quem eu amo tanto.

haja cabeça fria pra pensar as consequências dos nossos atos.

e aí dá aquele aperto no peito quando eu lembro desse tal Oceano Atlântico nos separando. e aí é preciso conter os impulsos e a ansiedade – a famosa – porque um dos fortes inconvenientes dessa distância é a diferença de fuso horário. então não dá pra eu simplesmente te ligar a qualquer hora porque você precisa dormir e descansar.

nós sabíamos exatamente o que teríamos que encarar ao entrar nessa e assumir esse relacionamento. e a verdade é que eu não me arrependo nem por um segundo por ser obrigada a sentir toda essa saudade, porque o amor que eu sinto por você é maior do que a saudade – que é enorme.

aliás, é difícil esse negócio de mensurar amor e saudade.

por aqui, tem aqueles que, ao descobrir pedaços dessa nossa história razoavelmente bizarra e absolutamente honesta, dão força, dizem torcer por nós, incentivam. mas, é claro, tem também aqueles que não acreditam. ah, os descrentes. que seria da vida sem eles? o que eles não entendem, nem nunca vão entender, é que, ainda que nenhum dos nossos planos se realize, eu não vou me arrepender nadinha de tê-los feito, e de vivenciar cada momento desse relacionamento tão peculiar e tão sincero como o nosso.

a verdade é que, mesmo com todas as dificuldades, eu prefiro mil vezes poder te amar desse jeito do que se eu não pudesse te amar at all. pior ainda seria se nós nunca tivéssemos deixado de resistir a algo tão natural pelo puro medo de encarar de frente essa distância, vencendo os desafios a cada dia, e eu estivesse aqui, igual a uma idiota, na melhor das hipóteses recebendo notícias suas de tempos em tempos, e sofrendo por não ter sido mais corajosa e ter te beijado antes da sua mudança.

ainda bem que eu encontrei você. ainda bem que eu fui meio inconsequente. ainda bem que você me abriu seus braços e, num abraço, me fez sentir todas essas coisas tão boas que eu jamais vou conseguir explicar.

ainda bem que, mesmo há um mês em continentes diferentes, nós não ficamos indiferentes nem por um segundo.

ainda bem que, mesmo há um mês em continentes diferentes, eu te amo mais a cada segundo.

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