Roger Waters e a parede

na última quinta feira tive a oportunidade de realizar um sonho. se, quando eu tinha lá os meus 12 anos, descobrindo o rock’n’roll, comprando o meu DVD The Wall Live in Berlin (posteriormente roubado pego emprestado por um então namorado e jamais devolvido), alguém me dissesse que, 10 anos depois, eu presenciaria ao vivo aquele espetáculo (logicamente melhorado de acordo com a tecnologia do nosso tempo, já que o referido DVD foi gravado em 1990), eu jamais acreditaria.

no entanto, eu fui lá pro Engenhão no dia 29 de março de 2012 e fiz parte das cerca de 50 mil pessoas que assistiram à grande ópera rock orquestrada por ninguém menos do que Roger Waters. e eu jamais vou esquecer aquela noite incrível.

eu tentei me preparar psicologicamente pro que vivenciaria. eu tentei me convencer de que não podia chorar de emoção. eu tentei me convencer de que não seria nada rock’n’roll sair do Glorioso Estádio João Havelange com olhos de panda. tudo isso em vão.

até porque Another Brick in the Wall pt2 seguida de Mother amolece até quem tem o coração de pedra. e aí vem Hey You, e Nobody Home, e Comfortably Numb, e Bring the Boys Back Home, e todas essas músicas que eu ouço há tantos anos e que, ao longo do tempo, foram adquirindo mais e mais significado e força na minha vida.

e era um jogo de imagens, e luzes, e fogos, e aviões colidindo, e o sr Waters vestindo-se de ditador, e o boneco enorme do Pink sendo rejeitado pelas crianças da Rocinha que formavam o coro de Another Brick in the Wall pt2 vestindo camisas “FEAR BUILDS WALLS”, e um javali enorme todo pintado com frases de protesto sobrevoando o Engenhão, e o Roger pulando e cantando e emocionando e falando em português e causando uma verdadeira catarse no palco do futebol que abriu espaço ao rock’n’roll naquela noite.

eu jamais conseguirei descrever tudo o que senti naquela noite. enquanto a ópera rock se desenvolvia, eu lembrava dos meus tenros anos de descoberta do rock, dos amigos que tinha naquela época, da minha paixão pela Guerra Fria e associação imediata do The Wall com a vida em Berlin enquanto estava dividida, e das coisas que me aconteceram ao longo desses 10 anos.

a verdade é que não tinha melhor jeito de comemorar uma década de rock’n’roll, senão no grandioso show protagonizado por Roger Waters e a sua gigantesca parede (do Setor Oeste ao Setor Leste do Engenhão – do the math).

e que os muros sejam destruídos.

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