Arquivo do mês: abril 2012

vinagre

eu sempre fui meio viciada em vinagre. e agora eu entrei numa de beber vinagre com sal e água antes de dormir, porque mata os micróbios e tal (eu e minhas manias de higiene). além disso, como eu ando com a garganta meio ruim, o vinagre é uma alternativa boa à adição de mais remédios à já extensa lista que figura diariamente na minha vida.

e aí que, com a memória boa que eu tenho, de vez em quando eu esqueço de tomar o tal combo copo de água + vinagre + sal. anteontem foi um desses dias em que eu esqueci. ontem eu lembrei.

e aí que hoje eu reparei que, quando eu bebo o tal copo, eu acordo com uma sede danada, que não passa enquanto eu bebo quase 2lt de água, enquanto que quando eu esqueço de tomar meu vinagre, isso não acontece (porque ontem eu não acordei nessa ~vibe~ de quase acabar com a água do Planeta Terra).

uma outra constatação decorrente dessa experiência é que eu não tenho mais crise de gastrite, nem com esse ataque direto ao meu estômago, nem com os outros constantes ataques através de derivados de cafeína. vitória?

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as primeiras 24 horas dos próximos 24 meses

Acontece que essas primeiras 24 horas que passamos em continentes diferentes não estão sendo tão fáceis assim; eu cheguei a acreditar que poderiam ser parecidas com aquelas duas semanas entre SP e Brasília, mas percebi que estava enganada.

A verdade é que as 5 horas de diferença entre o fuso horário do Brasil e do Zimbábue já impuseram uma dificuldade que até então nós não tínhamos: enquanto eu ainda estou acordada – passeando, estudando, ou simplesmente pensando em você –, e querendo trocar mensagens, e querendo conversar com você, em Harare já vai ficando tarde e você precisa descansar pra dormir e ter energia pra trabalhar no dia seguinte. Não sei se vai acontecer o mesmo do seu lado do Oceano Atlântico quando você acordar e souber que eu ainda estarei dormindo, mas me deu uma dor a mais no coração pensar nisso.

É tão esquisito, depois de todo esse tempo podendo falar com você a qualquer hora, saber que isso já pode mudar. Devo confessar que fiquei surpresamente feliz ao acordar e ver que você não apenas tinha se lembrado de me avisar que tinha chegado vivo à África do Sul e que logo seguiria pra Harare, mas também que escreveu palavras doces e carinhosas numa mensagem que me deu força pra levantar da cama e encarar esse dia tão longe de você.

A diferença de fuso horário foi apenas um dos tantos aspectos que tornaram essas primeiras 24 horas così difficile. E eu não escreverei sobre todos esses aspectos porque não saberia nem por onde começar, ou mesmo como descrever todas essas coisas que estou sentindo.

Eu sei que nós vamos superar essas dificuldades, vamos superar essas coisas que aparecerão a cada dia pra colocar à prova o nosso amor. Bem, eu sei que eu vou superar essas dificuldades, e eu espero sinceramente que você também consiga superá-las.

Enquanto isso, vou usando esse tempo de diferença pra me dedicar – do jeitinho que você quer que eu faça – ao meu mestrado, esperando o dia em que esses 24 meses tão presentes que temos pela frente sejam vistos como os meses do passado que anunciaram o nosso futuro juntos.

parte de mim vai embora

esse post é sobre algo que, de pequeno, não tem nada. talvez só o post seja pequeno pro tamanho do problema, pro tamanho da tristeza, pro tamanho da saudade, pro tamanho do amor.

hoje, parte de mim vai embora. hoje, parte de mim está de mudanca pra África, pra servir no Zimbábue por 2 anos.

hoje, meu coração cruzará o Atlântico, e só voltará daqui a alguns meses pra passar alguns dias e voltar pra África até que possa voltar outra vez e assim sucessivamente até que se completem 2 anos.

hoje, vai embora quem, há alguns meses atrás, não era mais do que um amigo dos meus amigos, e hoje tira meu sono e me deixa com saudade. não era mais do que amigo dos meus amigos, e hoje é dono do meu coração.

hoje, parte de mim vai embora. uma parte de mim que me faz rir até doer a barriga, me faz chorar de soluçar. hoje, parte de mim vai embora, e leva junto meu coração, meus sonhos, minhas vontades.

tive 5 dias pra despedir-me dessa parte de mim que vai embora. fui pra Brasília, participei da sua formatura no Instituto Rio Branco, vi meu coração compartilhar uma alegria imensa com a sua família e com os seus amigos. fiquei muito orgulhosa, muito feliz, e procurava não antecipar a inevitável despedida.

domingo, enfim, nos despedimos no aeroporto. se, em São Paulo, há pouco mais de 2 semanas atrás, eu já chorava porque sabia que me faria muita falta, jamais imaginaria que, em Brasília, choraria muito mais, porque a parte de mim que vai embora tem mais importância do que nunca.

o nosso tempo é diferente.

nos próximos meses, estaremos separados pelo Oceano Atlântico. estaremos em continentes diferentes, mas nossos corações estarão mais unidos do que nunca. parte de mim vai embora porque você roubou meu coração. e eu nunca amei alguém como eu te amo.

eu queria paz neste ano. eu só queria paz este ano… eu queria paz enquanto faço meu mestrado. eu achava que ficaria em paz enquanto estivesse sozinha. mas foi em você que pude encontrar a paz que tanto procurava, e deliberadamente escolhi sofrer com a saudade e com a distância que nos é imposta.

tudo tem sua hora certa, Deus sabe o que faz. as coisas acontecem no seu tempo certo. tenho certeza de que, se você só entrou na minha vida agora, e se nós nos amamos tão intensamente e tão rapidamente, é porque Deus quis assim. tenho certeza de que todos os meus caminhos e todos os seus caminhos nos levaram a esse encontro e a esse amor tão honesto. e eu aceito o plano Dele pra minha vida. eu aceito o plano Dele pras nossas vidas.

não dá pra mentir: eu preferiria que você não fosse embora. mas, do fundo do meu coração, espero que esta seja uma experiência incrível pra você. espero que você tenha a oportunidade de desenvolver todas as suas muitas capacidades, que você aprenda muito, que você se divirta muito. é a sua primeira remoção, de fundamental importância, e eu quero mais é que você aproveite muito esse período da sua vida.

e, principalmente, espero que você volte pra mim.

eu já não sei viver sem você, e os próximos meses serão verdadeiramente difíceis. mas é a certeza de que você vai voltar que vai me dar forças, é a esperança de que suas promessas sejam verdadeiras que vai me fazer esperar a sua volta cada vez que você tiver que partir.

te amo, chaveirinho. cuida bem do meu coração, porque ele parte pra Harare com você.

I’ll sing it one last time for you
Then we really have to go
You’ve been the only thing that’s right
In all I’ve done

And I can barely look at you
But every single time I do
I know we’ll make it anywhere
Away from here

Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I’ll be right beside you, dear

Louder, louder
And we’ll run for our lives
I can hardly speak, I understand
Why you can’t raise your voice to say

To think I might not see those eyes
Makes it so hard not to cry
And as we say our long goodbye
I nearly do

Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I’ll be right beside you, dear

Louder, louder
And we’ll run for our lives
I can hardly speak, I understand
Why you can’t raise your voice to say

Slower, slower
We don’t have time for that
All I want is to find an easier way
To get out of our little heads

Have heart, my dear
We’re bound to be afraid
Even if it’s just for a few days
Making up for all this mess

Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I’ll be right beside you, dear

uma nova história

Uma nova história começou a ser escrita há um tempo atrás. Uma nova história que enche de paz e agonia esse coração cansado de sofrer.

Mas, dessa vez, o sofrimento é inevitável. A mocinha decidiu sofrer conscientemente, porque confia. E confiando nos seus instintos, está acreditando no seu coração.

Mais sobre isso em breve. Ou não.

o final de uma história

era uma vez uma mocinha que andava sofrendo por causa de um rapaz. sim, essa mocinha e esse rapaz são exatamente os mesmos daquela história que já foi contada aqui. acontece que, agora, temos um final pr’aquela história. e é por isso que, hoje, excepcionalmente, esta narradora escreve pela segunda vez neste espaço.

nossa mocinha teve, sim, uma resposta. ainda em 2011, ainda em dezembro de 2011, o rapaz respondeu à mocinha que não tinha intenção de tratá-la de forma diferente, e pedia desculpas pelo ocorrido, mas que estava passando por um momento difícil e não estava sabendo comportar-se naquela ocasião. a mocinha, logicamente, perdoou o rapaz; afinal, há quanto tempo eram amigos? e como não poderia perdoar quem ocupava lugar tão importante no seu coração? mas a mocinha, essa mocinha da nossa história, já não estava mais tão suscetível aos encantos do rapaz, esse rapaz que protagoniza nossa história. a mocinha, afinal, já aprendeu com a vida que errar é humano, mas que corrigir é necessário – e, além disso, a mocinha dessa história sabe que permanecer no erro é burrice.

a mocinha, então, se deu um prazo: teria até o final do ano pra arrancar este rapaz do seu coração. e assim ela o fez – com direito a um porre de vodka russa no penúltimo dia de 2011, como se quisesse esterilizar seu corpo, seu sangue, seu coração.

e a nossa mocinha começou o ano de maneira diferente; sentia-se, finalmente, livre daquelas amarras que a prendiam ao rapaz que protagoniza nossa história.

a mocinha viajou nas férias, pulou carnaval, começou seu curso de mestrado. seus dias eram de pouco papel pra muita tinta, e isso a deixava, de fato, feliz.

mas chegou a hora de visitar São Paulo, e a mocinha sabia que o encontro com o rapaz que protagoniza esta história seria inevitável. e, sendo inevitável, colocaria à prova o seu próprio coração. teria ela, de fato, se libertado? ou tudo cairia por terra ao vê-lo?

alguns dias antes de pegar a ponte aérea, a mocinha da nossa história descobriu que o rapaz estava namorando uma outra mocinha, que mora na mesma cidade que ele. naturalmente, as dúvidas sobre qual seria o seu comportamento diante do rapaz, diante desse rapaz que protagoniza a nossa história, foram aguçadas. afinal de contas, agora é que ele não poderia ser mais dela mesmo. qual seria o efeito disso na vida da nossa mocinha? como ficaria o seu coração?

a mocinha reuniu toda a coragem que não tinha, e entrou no avião, e foi pra São Paulo. tinha certeza de que, de qualquer maneira, teria um feriado divertido. e, na pior das hipóteses, sabia que seus outros amigos paulistas estariam lá pra apoiá-la caso ela caísse – ou melhor, não deixariam que ela caísse.

eis que a mocinha e o rapaz, este que protagoniza a nossa história, se encontraram. cumprimentaram-se como velhos amigos. e a mocinha teve, imediatamente, a resposta que tanto buscava para essas questões que a aflingiram desde a sua decisão de ir pra São Paulo. e a resposta não veio de ninguém menos do que dela mesma; do seu coração.

acontece que a mocinha não alterou-se porque o rapaz estava por perto; o seu coração não bateu mais forte, os seus olhos não se encheram d’água. a mocinha sentiu apenas uma paz imensa, uma paz que só sente quem se liberta de uma coisa antes tão importante, mas que não era a coisa certa, porque lhe fazia mal. a mocinha então percebeu, naquele instante, que não era pra ser. a mocinha entendeu que aquele não era o rapaz que mudaria a sua vida. a mocinha entendeu, enfim, que o plano de Deus não era esse.

e a mocinha teve mesmo um feriado fantástico, preenchido por dias inesquecíveis e momentos memoráveis. seu coração, enfim, estava tranquilo, porque sabia que esse rapaz, esse rapaz que protagonizou a nossa história, não estava mais nele como alguém desejável.

a mocinha, enfim, sentiu-se em paz, e pronta pra começar uma nova história – uma nova história com final feliz.

sobre a despedida

Aeroporto de Congonhas, domingo, 08 de abril de 2012, por volta das 17:45, balcão de check in da TAM:

– tem vaga no vôo das 18:29, deseja trocar de horário?
– não, naaaaaao, naaaaao! Obrigada, mas eu não queria nem ir embora, quanto mais ir mais cedo!
– se quiser, ainda pode mudar o vôo, ou cancelar.
– bem que eu queria, mas nenhuma dessas opções é possível.
– ou então alguém pode ir junto.
– outra coisa que eu adoraria, mas que é impossível!
– ah, bem, mas saudade também é importante!

Pois é. Saudade também é importante. Mas 5 meses (pra começo de conversa, porque, né, serão 2 anos ao todo) em continentes diferentes, separados por um oceano, vai ser difícil demais.

E isso não é nada pequeno.

Roger Waters e a parede

na última quinta feira tive a oportunidade de realizar um sonho. se, quando eu tinha lá os meus 12 anos, descobrindo o rock’n’roll, comprando o meu DVD The Wall Live in Berlin (posteriormente roubado pego emprestado por um então namorado e jamais devolvido), alguém me dissesse que, 10 anos depois, eu presenciaria ao vivo aquele espetáculo (logicamente melhorado de acordo com a tecnologia do nosso tempo, já que o referido DVD foi gravado em 1990), eu jamais acreditaria.

no entanto, eu fui lá pro Engenhão no dia 29 de março de 2012 e fiz parte das cerca de 50 mil pessoas que assistiram à grande ópera rock orquestrada por ninguém menos do que Roger Waters. e eu jamais vou esquecer aquela noite incrível.

eu tentei me preparar psicologicamente pro que vivenciaria. eu tentei me convencer de que não podia chorar de emoção. eu tentei me convencer de que não seria nada rock’n’roll sair do Glorioso Estádio João Havelange com olhos de panda. tudo isso em vão.

até porque Another Brick in the Wall pt2 seguida de Mother amolece até quem tem o coração de pedra. e aí vem Hey You, e Nobody Home, e Comfortably Numb, e Bring the Boys Back Home, e todas essas músicas que eu ouço há tantos anos e que, ao longo do tempo, foram adquirindo mais e mais significado e força na minha vida.

e era um jogo de imagens, e luzes, e fogos, e aviões colidindo, e o sr Waters vestindo-se de ditador, e o boneco enorme do Pink sendo rejeitado pelas crianças da Rocinha que formavam o coro de Another Brick in the Wall pt2 vestindo camisas “FEAR BUILDS WALLS”, e um javali enorme todo pintado com frases de protesto sobrevoando o Engenhão, e o Roger pulando e cantando e emocionando e falando em português e causando uma verdadeira catarse no palco do futebol que abriu espaço ao rock’n’roll naquela noite.

eu jamais conseguirei descrever tudo o que senti naquela noite. enquanto a ópera rock se desenvolvia, eu lembrava dos meus tenros anos de descoberta do rock, dos amigos que tinha naquela época, da minha paixão pela Guerra Fria e associação imediata do The Wall com a vida em Berlin enquanto estava dividida, e das coisas que me aconteceram ao longo desses 10 anos.

a verdade é que não tinha melhor jeito de comemorar uma década de rock’n’roll, senão no grandioso show protagonizado por Roger Waters e a sua gigantesca parede (do Setor Oeste ao Setor Leste do Engenhão – do the math).

e que os muros sejam destruídos.