Arquivo do mês: março 2012

possíveis nomes do meu futuro livro

Já tem um tempo, eu decidi que, um dia, vou escrever um livro. Se será publicado, ou se alguém vai ler, isso são outros 500. Mas eu hei de escrevê-lo!
Hoje eu me peguei pensando numa variedade de nomes possíveis. E, antes que eu me esqueça destes que pipocaram hoje na minha cabeça, ficará aqui o registro dessa lista.

  • Alegrias e Alergias 
  • A arte de fazer merda
  • A arte de precipitar-se
  • A arte de precipitar-se e consequentemente fazer merda
  • As maluquices de uma teimosa
  • Carnaval, Futebol & Rock and Roll
  • Livros, Filmes & Rock and Roll
  • Me fodo sim e tô vivendo: um ensaio sobre a persistência
  • Minha vida segundo a Lei de Murphy
  • Teimosia é meu sobrenome
  • Todos os medos de uma pessoa corajosa
  • Vida Difícil

Tenho certeza de que já deixei algum dos títulos possíveis de fora. Minha memória é mesmo muito ruim.

às claras

desde que a minha amiga Nanda Belém apontou meu blog no Twitter (@nandabelem) como uma boa leitura para seus muitos seguidores, este espaço tem recebido novos e mais visitantes do que jamais pensei ser possível. Nanda, uma escritora publicada, é a maior incentivadora que eu poderia encontrar pra continuar mantendo esse espaço aberto. e, por isso, eu agradeço.

a ideia de ter um blog nunca foi voltada para atrair público; a verdade é que eu só queria um espaço pra soltar minhas ideias, publicando-as e mantendo-as acessíveis onde quer que eu esteja (viva os aplicativos do WordPress para iOS!) – graças a esta maravilha que chamamos internet.

uma das coisas mais importantes que aprendi na viagem pra Israel: devemos ouvir a todos, e não acreditar em ninguém. guardarei esse ensinamento a vida toda.

quero esclarecer uma coisa de uma vez por todas: esse blog é absolutamente pessoal, como um diário.

sou uma pesquisadora em formação, uma menina que se descobre mulher a cada dia, com responsabilidades e medos. para os pesquisadores, é importante manter registro das suas ideias, sejam elas sobre o que for.

tudo que escrevo aqui é carregado de emoção e totalmente subjetivo. é a minha perspectiva de mundo; como uma fotografia. eu escrevo sobre o que eu vejo, sinto, ouço, leio, vivo.

quem quiser acompanhar minhas loucuras e meus registros, que acompanhe. fique a vontade. é bom também saber que não estou falando só com as paredes – ou com uma tela e um teclado.

este é o meu mundo; o universo ao meu redor é o meu infinito particular. só não precisa me levar muito a sério.

sobre violência, juventude e o estado de natureza

ontem fui assistir ao filme “Jogos Vorazes”, adaptação de livro homônimo. o motivo principal que me levou a querer assistir este filme foi porque qualquer merda que falam que é “o novo Harry Potter” ou “um fenômeno comparável a Harry Potter” ou qualquer coisa nesse sentido eu faço questão de assistir – porque, se for pra falar bem, ou se for pra falar mal, eu quero falar com propriedade.

o irmão do meu melhor amigo, também conhecido como Príncipe Infante, leu a série dos livros. já tinha perguntado a ele quais eram as impressões dele sobre a história, e ele me disse, entusiasmado, que era muito legal, e que eu deveria ler.

resolvi, primeiro, assistir ao filme. inclusive, minutos antes de entrar na sala de cinema, estávamos numa Livraria Saraiva (n.a.: não, eu não recebi nada pra fazer propaganda da Saraiva. quem me dera! eu apenas sou uma consumidora assídua), e, vendo aquela multidão de adolescentes entusiasmados, cheguei a considerar ler os livros, caso eu gostasse do enredo mostrado no filme.

seguimos, então, para assistir ao filme. passaram-se mais de 2 horas de uma fita sanguinolenta, apresentada a um público predominantemente jovem (a classificação era 12 anos – e muitos adolescentes estavam lá ocupando os lugares na sala).

o enredo pode ser resumido assim: 24 jovens entre 12 e 18 anos vão pro meio de uma floresta e só um poderá sair de lá vencedor – tendo que matar seus adversários pra sair vivo.

eu não sei o que mais me assustou no filme: as cenas verdadeiramente sanguinolentas, talvez piores do que as mais explícitas batalhas em filmes de guerra, ou o fato de que os adolescentes vibravam a cada morte de um personagem teoricamente menos querido do que outro.

porque, naturalmente, como em qualquer história, existem os personagens ruins e os bons; existe a mocinha, o mocinho, a gangue malvada, tudo está lá. e até o mais crítico dos expectadores acaba torcendo pelos mocinhos em algum momento – nem que seja só pra que eles se beijem logo e parem de postergar o que todo mundo já sabia que ia acontecer.

ao ver toda aquela violência retratada numa tela enorme de cinema, o meu corpo reagia ao que eu estava vendo – fiquei com dores musculares de tanta tensão – ao mesmo tempo em que meu cérebro tentava processar a ideia de que jovens no mundo inteiro, enquanto ainda estão em formação da sua personalidade e caráter, aclamam essa série – ou, pelo menos, acreditam em alguns críticos literários que apontaram a série como um grande fenômeno.

cada cena me lembrava diretamente do Estado de Natureza descrito por Thomas Hobbes. de forma resumida, o Estado de Natureza é compreendido pelos contratualistas como o estágio anterior à construção da sociedade civil. para Hobbes, o Estado de Natureza é qualquer situação onde não há um governo que estabeleça a ordem, e onde todos os seres humanos são inguais no seu egoísmo, fazendo com que a ação de um só seja limitada pela força do outro. o Estado de Natureza é sempre um estado de Guerra – que pode acontecer a qualquer momento e sem causa aparente.

na história que eu assisti retratada naquele filme ontem, existia um governo – Capitol – que controlava 12 Distritos que, outrora, se rebelaram, mas foram contidos. por conta dessa rebelião, foram criados os tais Jogos Vorazes – uma espécie de Big Brother misturada com Torneio Tribruxo, só que cheio de sangue -, objetivando fazer lembrar que a rebelião contra Capitol deveria e deverá ser castigada. só que este governo, ao invés de garantir a sobrevivência dos seus cidadãos, sorteava entre eles os tais 24 Tributos – sempre um menino e uma menina de cada Distrito – para lutar entre si, até a morte.

o que me assusta é a banalização da violência. me assusta ver jovens batendo palmas para cenas em que há morte, sangue jorrando por todos os lados, como se isso fosse algo moralmente aceitável. me assusta pensar que esses jovens podem incorporar determinados aspectos da tal história contada e retratada e resolver sair por aí agredindo uns aos outros, por egoísmo ou voracidade.

sou uma pessoa razoavelmente chegada aos conflitos. gosto de estudar a guerra, gosto de história militar – afinal, se não gostasse, não teria escolhido um curso de mestrado absolutamente militarizado, que é o curso de Estudos Estratégicos da Defesa Nacional e da Segurança Internacional. o período que eu mais gosto da história é também o mais perigoso – a Guerra Fria. se pudesse dar merda, teria dado. porque, né, explodiria uma guerra nuclear, minha gente.

pra trazer um pouco mais de empiria pro que estou falando, cito em tradução livre o que Baylis & Wirtz já registraram: a maioria dos estrategistas, por reconhecer a verdadeira natureza da guerra, considera o conflito armado uma tragédia, uma atividade que não deveria ser empreendida por seres humanos, e que deve ser limitada na maior extensão possível.

conversando com o mesmo Príncipe Infante já mencionado neste texto, ele me explicou que, no livro, há uma tangência pra compreender que a história é uma crítica à manipulação que a mídia exerce sobre as pessoas. e isso é perceptível, de fato, mesmo no filme. o que me incomoda é: será que todos os jovens que assistiram/assitirão ao filme ou leram/lerão o livro conseguirão fazer essa abstração? será que não se deixarão ser levados pela emoção e, envolvidos pela voracidade, não tomarão como palatável a ideia de agredir um par para atingir os seus objetivos?

me incomoda que a juventude de amanhã esteja sendo bombardeada com uma literatura e uma filmografia desse tipo. me incomoda saber que o bullying pode estar ganhando respaldo. me incomoda pensar que tantos jovens estão deixando de ver a morte como uma coisa singela, que deve ser tratada com respeito, interpretando-a como uma consequência inevitável a se enfrentar quando se quer conquistar algo.

o primeiro resultado de uma pesquisa rápida no Google da palavra “voraz” indica: o adjetivo significa “que devora, ou come com avidez”. e, ainda: “o lobo é um animal voraz”. Thomas Hobbes já disse que, no Estado de Natureza, o homem é o lobo do homem – uma máxima repetida muitas vezes, e muitas vezes por quem nem sabe direito da onde ela surgiu. nos tais Jogos Vorazes, isso é exatamente o que acontece: os adversários se devoram com avidez. banaliza-se a violência, banaliza-se a morte.

admito que tenho dificuldade de entender um mundo onde a juventude (e, quem sabe, a infância) deixa perder-se num estado de natureza.

ah, é: Jogos Vorazes NUNCA será “o novo Harry Potter” ou “um fenômeno comparável a Harry Potter”. na verdade, nada jamais conseguirá ser comparável a Harry Potter. conformem-se com esta verdade irrefutável, e parem com esta merda.

verdades

*este post não fala de uma só pessoa ou de uma só situação. talvez este post nem seja sobre tantas verdades assim. não me leve tão a sério.

vejo a sua foto, e já não sinto mais saudade. não sinto saudade do que éramos. não sinto saudade do que poderíamos ter sido e não fomos. vejo a sua foto, e já não sinto mais a sua falta.

olho pra você, te vejo imaturo; te sinto distante, aquela distância que a gente não explica, mas sente. sinto saudade de te ver e de te escutar, mas já não sei o que mais vou ouvir, ou se vou conseguir acreditar em você outra vez.

te entendo, mas não tenho paciência. já não sei mais lidar com suas variações de humor, sua incompreensão, suas vontades. sua predominância, sempre a sua predominância. se você quer, eu quero, todos querem, todos devemos querer. sua amizade ainda é importante pra mim, mas assim não dá.

sinto saudade das nossas conversas demoradas, das suas mensagens inesperadas, do som da sua voz.

não sei viver sem você na minha vida. já não me lembro mais de como as coisas aconteciam antes de te conhecer. parece que foi a vida de outra pessoa, e que sem você eu não sou ninguém. te amo e não quero nunca ficar longe de você.

entendo suas loucuras, suas dores, seus desejos, seus medos. só não te quero triste, nem longe de mim.

não minta pra mim. não me iluda. não me faça sofrer. não me diga que vai fazer, e depois não faça. se for pra me machucar, nem entre na minha vida. ou não volte mais.

você foi embora e me deixou numa saudade que eu não sabia nem ser possível sentir. esse vazio que nunca poderá ser preenchido, essa dor incomparável, essa vontade de ganhar colo de novo e saber que eu não vou poder nunca mais ter o afago certo das suas mãos tão amigas. eu não sei como as coisas acontecem depois que a gente morre, mas sinto sua presença ainda por perto. sei que você não me deixou, porque carrego você dentro de mim.

não quero ver você na minha frente nunca mais, nem pintado de ouro e cravejado em diamantes. pra mim, você morreu. 1 vez, 2 vezes, 3 vezes é demais. acabou.

me diga a verdade, não me esconda nada. apague a luz, não tenha medo. veja o dia nascer, veja o sol raiar, sinta o calor do verão acabar e a brisa do outono chegar. me abraça forte, me diz que vai ficar tudo bem.

me diz as coisas que eu gosto de ouvir, me diz as coisas que eu preciso ouvir. seja quem eu preciso e quero ter por perto. vem pra cá, e encurta essa distância, e diminui essa saudade.

me diz que a gente vai se ver de novo um dia.

elo

é engraçado como as coisas acontecem nessa vida, como cada coisa tem seu tempo, e como não adianta querer questionar as coisas que nos acontecem.

se, há um tempo atrás, alguém me perguntasse se eu pensava que me sentiria dessa forma, eu certamente responderia que não. porque a verdade é que eu jamais acreditei que eu fosse encontrar, numa pessoa que eu considerava estar tão distante de mim, um grande amigo.

a verdade é que você não precisa de muita convivência ou muito tempo pra reconhecer imediatamente se uma pessoa veio pra ficar ou não na sua vida. algumas conversas, algumas coisas, algumas pequenas coincidências, algumas muitas certezas. e é assim que nasce uma amizade.

e aí não importa o tempo, e sim o elo que se forma. cria-se uma afinidade indescritível, uma sintonia inexplicável, uma amizade indivisível. nasce aquele carinho, aquela afeição, aquela vontade de dizer a verdade sem temer, porque sabe-se que se pode confiar.

Antes, quem me parecia tão inacessível, agora me faz me perguntar como eu vou fazer sem contar com a presença constante na minha vida.

e a verdade é dita, com frases abertas, de ambos os lados. e acredita-se.

e não se quer fazer a despedida, porque a despedida jamais vai de fato acontecer.

por mais que o tempo ou a distância separem os verdadeiros amigos, a amizade não vai se destruir. é uma pena, de fato, que tenhamos passado tão pouco tempo juntos. mas eu espero que o mesmo tempo que se mostrou injusto vai se redimir, e se encarregar de não deixar o que já está construído morrer.

só eu que vou mesmo morrer de saudade de você.

“não, você não fica tão bem sozinha quanto você pensa. isso é o famoso autoengano. com o tempo, você aprende isso.”