deu na Folha

“Há alguns anos, paquerar era uma tarefa complexa. As modalidades variavam desde você pedir pra um amigo ser o cupido, passando bilhetes e até coisas horríveis como ficar vermelha na frente da pessoa e sair correndo (esse último, comprovadamente, um total fiasco). Hoje, parece mais fácil. Basta cutucar no Facebook ou curtir. Simples assim. Você não precisa se arrumar, ter taquicardia, pedir pro garçom entregar um bilhete. Pode inclusive fazer tudo isso de pijama, vendo novela. O mundo perdeu o sentido de aventura. Saudades de sair correndo do bar com a cara em chamas.”

Enquanto eu não encontro as palavras suficientes pra descrever meu final de semana em SP, vou me valer de algumas das reflexões levantadas nesse trecho. Seguem:

  1. eu pedi conselho pros amigos;
  2. eu fiquei vermelha, mas não saí correndo;
  3. eu me aventurei; peguei um avião, sem nenhuma garantia de nada, pra falar o que eu precisava falar tendo a certeza de continuar sem nenhuma garantia de nada;
  4. eu me arrumei, eu me desarrumei, eu passei maquiagem dentro do carro, eu arrumei desculpas, eu disse que tinha arrumado desculpas;
  5. eu falei o que tinha que falar; falei engasgada, fiquei vermelha, mas falei.

É. Acho que, por enquanto, isso basta pra um relato. Falta só dizer que, pra última bala, dando um tiro no escuro, se é que chegou a pegar no meu pé, foi mesmo só de raspão. Ou então eu realmente entendo tudo errado.

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