as semelhanças

Hoje, meu tio Chico almoçou conosco. Ele não é na verdade meu tio, é meu primo, mas como todos os meus primos são muito mais velhos do que eu, e quase todos tem filhos da mesma idade que eu, ou quase, chamo-os todos de tios e tias, com carinho.

Pois bem. Acontece que com esse meu ‘tio’, em especial, compartilho muitas semelhanças. E acho engraçado como coisas assim acontecem, mesmo entre familiares que tem pouco contato, quase nenhum. Me peguei pensando nisso de uma forma que preciso registrar, antes mesmo de acabar de estudar RILESUA.

Ele é louco por livros, música, filmes; não gosta de shoppings, prefere lojas de rua; posterga todas as saídas de casa o máximo que pode, deixa de ir ao cinema, prefere ver filmes em casa; busca o alternativo; ama viajar, e não volta de nenhuma das viagens sem CDs novos do que descobriu por lá; tem ciúme dos CDs, livros, DVDs dele; gosta de jogar videogame; andava com o pijama caindo; pode ficar um final de semana inteiro de pijama, comendo só porcaria; vive sozinho mas nunca está só, e tem amigos mas também gosta de estar sozinho; não troca a solidão e a reflexão por saídas baderneiras; assiste filmes sozinho; não perde suas séries de TV por nada nesse mundo; tem um gosto musical apurado mas por vezes torto; tem muitas manias, muitas, muitas manias; e sua melhor companhia é ele mesmo.

Minha mãe e Mivó acham engraçado; Mivó principalmente, por quem esse tio também tem uma paixão imensa. Quando pequeno, só gostava de sair com ela, só cumprimentava os outros se estivesse com ela, sempre teve por ela carinho de mãe e filho. O engraçado é que eu tenho muito, MUITO²³ ciúme da Mivó com os sobrinhos e sobrinhos-netos, de dizer que ninguém além de mim pode chamá-la de Mivó; mas dele, nunca tive ciúme – talvez porque ele não a chame de Mivó.

Ninguém consegue entender tantas semelhanças. Mamãe fica, por vezes, preocupada em como eu deixo de ir pra rua pra ler, ver filmes e séries, ouvir música; cantarolar sozinha. Hoje, por exemplo, não vou ao cinema com meus amigos; preferi ficar em casa, estudar, e depois ver minhas séries de TV que tem seus horários e não me esperam chegar em casa. Elas não tem que me esperar; e mesmo que não faça sentido, prefiro esperar por elas, que não se atrasam.

Prefiro estar sozinha; mas não prefiro a solidão. E prefiro antes não entender tantas semelhanças, e só achar curioso que sejamos tão iguais – ele nos seus 48 anos, e eu nos meus 19 – mesmo que não tenhamos a menor convivência.

E nessas horas, minha mãe diria: ah se o vovô Chiquinho estivesse aqui…

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