Arquivo do mês: outubro 2009

the ugly truth

all good things come to an end.

and today will be the start of the ending of an entire year of work, partnership, friendship, and trust.

i hope my heart can endure till the end…

ONU Jr – Um modelo para crescer. that’s my dream, that’s our dream. it’s ours.

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os planos

Tenho feitos muitos planos. Planos de me mudar. Planos de simplesmente sumir por uns dias. Planos de menina, de criança, de quase mulher.

Alguns são, de fato, absurdos. Outros, um pouco mais realizáveis. Tem aqueles que, se eu me esforçar muito, posso realizar. E também tem alguns que eu sei que eu poderia realizar num estalar de dedos, mas tenho receio.

Mamãe incentiva. Me pergunta pra onde quero ir, quando quero ir. Parece que ela quer mesmo que eu saia dessa loucura que temos vivido. Parece que quer me poupar. Parece, não; quer, com toda certeza.

Se é assim, o que me falta?

Falta coragem: coragem pra sair daqui, e deixar, por uns dias ou uns anos, o que eu tenho de mais precioso; coragem pra decidir pra onde quero/devo ir. Falta coragem de arrumar as malas, botar a mochila nas costas, e dizer “tchau, tô indo”.

E agora mamãe chamou pra comer. O cheirinho da pizza está incrível. Como arrumar coragem de realizar meus planos fora daqui, quando estar aqui é tão confortável?

Ainda que louco.

as semelhanças

Hoje, meu tio Chico almoçou conosco. Ele não é na verdade meu tio, é meu primo, mas como todos os meus primos são muito mais velhos do que eu, e quase todos tem filhos da mesma idade que eu, ou quase, chamo-os todos de tios e tias, com carinho.

Pois bem. Acontece que com esse meu ‘tio’, em especial, compartilho muitas semelhanças. E acho engraçado como coisas assim acontecem, mesmo entre familiares que tem pouco contato, quase nenhum. Me peguei pensando nisso de uma forma que preciso registrar, antes mesmo de acabar de estudar RILESUA.

Ele é louco por livros, música, filmes; não gosta de shoppings, prefere lojas de rua; posterga todas as saídas de casa o máximo que pode, deixa de ir ao cinema, prefere ver filmes em casa; busca o alternativo; ama viajar, e não volta de nenhuma das viagens sem CDs novos do que descobriu por lá; tem ciúme dos CDs, livros, DVDs dele; gosta de jogar videogame; andava com o pijama caindo; pode ficar um final de semana inteiro de pijama, comendo só porcaria; vive sozinho mas nunca está só, e tem amigos mas também gosta de estar sozinho; não troca a solidão e a reflexão por saídas baderneiras; assiste filmes sozinho; não perde suas séries de TV por nada nesse mundo; tem um gosto musical apurado mas por vezes torto; tem muitas manias, muitas, muitas manias; e sua melhor companhia é ele mesmo.

Minha mãe e Mivó acham engraçado; Mivó principalmente, por quem esse tio também tem uma paixão imensa. Quando pequeno, só gostava de sair com ela, só cumprimentava os outros se estivesse com ela, sempre teve por ela carinho de mãe e filho. O engraçado é que eu tenho muito, MUITO²³ ciúme da Mivó com os sobrinhos e sobrinhos-netos, de dizer que ninguém além de mim pode chamá-la de Mivó; mas dele, nunca tive ciúme – talvez porque ele não a chame de Mivó.

Ninguém consegue entender tantas semelhanças. Mamãe fica, por vezes, preocupada em como eu deixo de ir pra rua pra ler, ver filmes e séries, ouvir música; cantarolar sozinha. Hoje, por exemplo, não vou ao cinema com meus amigos; preferi ficar em casa, estudar, e depois ver minhas séries de TV que tem seus horários e não me esperam chegar em casa. Elas não tem que me esperar; e mesmo que não faça sentido, prefiro esperar por elas, que não se atrasam.

Prefiro estar sozinha; mas não prefiro a solidão. E prefiro antes não entender tantas semelhanças, e só achar curioso que sejamos tão iguais – ele nos seus 48 anos, e eu nos meus 19 – mesmo que não tenhamos a menor convivência.

E nessas horas, minha mãe diria: ah se o vovô Chiquinho estivesse aqui…