quattro anni senza lei

Mivó, tem quatro anos que eu não te dou um abraço, e isso dói demais. Muita coisa mudou nesse último ano, Mivó, menos a saudade que eu sinto de você. Essa saudade, ela só cresce. 

Eu me mudei pra Brasília, vó. E, junto comigo, todas as minhas esperanças e os meus medos vieram junto. Me mudei pra Brasília e enfrento o cerrado pra tentar me preparar bem pr’aquele concurso que você tinha tanto receio que eu fizesse, porque achava que eu nunca ia querer me casar. Me mudei pra Brasília, e trouxe comigo a saudade que eu sinto de ouvir a sua voz.

Tô morando com o Felipe, vó. Foi só por isso que eu vim. Sem ele aqui, eu não teria coragem de enfrentar esse cerrado sozinha. Duas opções me restariam: ou papai e mamãe viriam comigo, ou teria que enfrentar a Ponte Rio-Niterói todos os dias, e sabe lá quanto tempo do meu dia perderia no trânsito.

Queria que você conhecesse a minha casinha, Mivó. A nossa casinha. A gente arruma tudo com carinho, compartilha as responsabilidades, e até vai pra cozinha de vez em quando. Pois é, Mivó, eu tô perdendo o meu medo de cozinhar e a minha fobia de cozinha, fazendo coisinhas gostosas com o Felipe pra gente comer. O amor muda mesmo a gente, vó.

O Felipe respeita as minhas vontades e os meus medos, o meu tempo e os meus desesperos. Ele me acalma, e me faz cafuné. Ele me abraça, e tudo melhora. Ele mexe no cabelo igualzinho você fazia, Mivó.

Mesmo morando aqui, e estudando aqui, eu vou muito pra Niterói, sabia? Eu terminei o mestrado em junho, e até então tinha que ir sempre pra lá pra encontrar o meu orientador. Depois disso, voltei pra finalizar questões burocráticas lá no PPGEST, e também pra passar o dia dos pais com o papai. Passei seu aniversário junto deles, vó, e comprei uma rosa pra você, e outra pro Mivô. Eu também sinto saudade dele, mesmo sem tê-lo conhecido.

Nesse ano, teve Copa do Mundo no Brasil, vó. E foi muito esquisito ver os jogos sem você por perto. Futebol era coisa nossa. Nessa Copa, faltou um pedacinho de mim pra torcida, porque faltou você sentada no sofá do meu lado. Sem você pra ver o futebol comigo, vó, o Brasil perde. Agora, quem vê o futebol comigo é o Felipe. A gente foi a um jogo da Copa no Mané Garrincha, vó. Foi tão bacana! Você ia gostar muito, com certeza.

De vez em quando eu me pego pensando no som da sua voz, Mivó, e também no seu cheirinho. Eu tenho medo de me esquecer do seu cheirinho, de me esquecer do som da sua voz. Eu tenho medo de que o tempo passe tão depressa, e que tanta coisa aconteça, que eu não consiga mais lembrar como era bom ganhar os seus afagos, e da alegria que eu sentia sempre que a campainha tocava lá em casa e via que você tinha chegado. 

Eu sonho muito com você, Mivó. E toda vez que eu sonho com você, eu acordo um pouquinho mais feliz, porque sinto como se você estivesse mesmo pertinho de mim. Toda vez que eu sonho com você, Mivó, eu acordo com o coração um pouquinho mais apertado da saudade de ter você aqui.

Queria muito poder segurar a sua mão outra vez, Mivó. Queria muito poder ter você de novo pertinho de mim, pertinho da gente. Eu já te disse que queria muito que você tivesse conhecido o Felipe. 

Amanhã, nós vamos ver o Botafogo jogar aqui no Mané Garrincha. A vida tem dessas coisas, Mivó… 4 anos depois do meu último adeus pra você, eu vou num jogo do nosso time, do time que você me ensinou amar, do time que eu aprendi a torcer. Eu nem sabia que ia ter esse jogo aqui, tão pertinho de mim, mas o Felipe me disse, e me perguntou se eu queria ir. Ele é tão bom pra mim, vó! O coração dele é muito grande. E amanhã, no Mané Garrincha, eu e ele vamos torcer pelo Botafogo como se você estivesse juntinho da gente. E eu sei que você está.

Deus, o Pai bondoso, me dá a força que eu preciso pra continuar caminhando e lutando sem ter você do meu lado, Mivó, mas eu sei que você está intercedendo por mim, olhando por mim, cuidando de mim, como fez a vida inteira.

Te amo, e sinto cada vez mais saudade. 

notícias em meio à copa do mundo!

E aí meu Brasil, essa Copa do Mundo tá demais, não é mesmo?!

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óculos American Eagle Outfitters, blusa Farm, bolsa DKNY, coroa de flores handmade por encomenda quando eu tinha uns 8 ou 9 anos xD

Falar a verdade, tá difícil até de pensar em outra coisa! Cada partida de futebol tá melhor do que a outra, e sempre que eu penso “ah, esse jogo aí não deve ser muito bom não, vou estudar, mas vou deixar a tv ligada só pra garantir”, vem um jogão que me faz morder a língua, deixar os cadernos de lado e ir pra frente da tv. Não que eu me orgulhe disso, longe disso, mas essa é a realidade.

Outro fator que não tá colaborando pros estudos é o meu sistema imunológico de merda fraco. Desde o dia 19/06, dia em que fomos ao Estádio Nacional Mané Garrincha pra assistir Colômbia x Côte d’Ivoire, minha saúde tem ficado mais pra lá do que pra cá. Começou com uma falta de ar na caminhada de volta do Estádio pra casa (3km no sol a pino das tardes de Brasília…), e daí pra frente foi ladeira abaixo.

quase beijando o gramado do Mané Garrincha de tão perto (x

quase beijando o gramado do Mané Garrincha de tão perto (x

O jogo foi incrível, torci muito pela Côte d’Ivoire, e valeu a pena! Pena que a Colômbia que acabou ganhando… Enfim, a saúde sentiu o peso da caminhada no sol, e o organismo reclamou. Depois da falta de ar, veio uma dor de estômago que durou uns 2 dias, aí passou a dor de estômago (também conhecida como mini crise de gastrite) e fiquei com uma tosse seca horrível, depois voltou uma falta de ar pior ainda pra acompanhar a tosse, o que me obrigou a comprar um nebulizador de emergência, e, quando eu achei que tava melhorando, veio aquela cólica que quase arrebenta o ser humano. Ontem, achando que já fava muito bem e muito marota, tive pressão baixa.

E aí é isso aí.

Mestra Lelê!

sim! eu sou mestra!

(pelo direito adquirido de usar o gorro do Mestre Yoda!!)

defendi minha dissertação na última quarta feira, e saí direto da UFF rumo ao SDU pra voltar pra Brasília.

porque o mestrado termina, mas a agonia continua!!

*o título desse post é simbólico, pra lembrar o jeitinho carinhoso que os meus amigos tem me chamado desde a última quarta feira que dia tão feliz

email de pai para filha

de: Murilo Oliveira
para: Letícia Tostes F. de Oliveira
data: 30 de maio de 2014 17:44
assunto: Re: Fw: Divulgação de Defesa

       FILHA QUERIDA, ficamos sensíveis a tudo o que escreveu, principalmente o que nos dedicou, sentimentos que nos emocionaram e que demonstram tudo o que sente pelos  seus pais (não precisava fazer a gente chorar!), mas a VITÓRIA É SUA !!!

     É momento de lembrar o que escrevi – o “Pai Coragem” -; você, naquele momento, poderia não entender exatamente o que eu queria dizer, mas agora, “vai vencer na vida … o futuro é teu” é a expressão do seu prémio, não só de liberdade, mas de encontrar-se na realização de seus sonhos e navegando para o seu destino.

     Por coincidência hoje, limpando os meus armários/papéis, encontrei uma publicação no Jornal dos Advogados, de julho/11, do psicólogo Dr. Marcos Calmon, que trás umas coisas que é bom lembrar:

     ” … você já teve aquela sensação de ter feito uma coisa certa e … acabou colocando tudo a perder com um erro grosseiro? … convencionamos chamar este tipo de comportamento … patológico de “auto sabotagem”, espécie de vírus mental, que roda na mente e produz um estrago enorme, geralmente mudando a sua vida para a pior.

     Quantas vezes você já se preparou para conquistar um objetivo, …mas na hora “H” ocorreu um medo súbito e …  você acabou perdendo aquela oportunidade maravilhosa … deixando dentro de você  a velha sensação de vazio, culpa e fracasso” ?).

     Eu sei que é duro! Mas o Judas Iscariotes está dentro de você! É quando o homem trai a si mesmo de forma inconsciente e devastadora.  …. queremos respostas para este conflito silencioso que se assemelha a uma espécie de “auto terrorismo” psíquico … esses “homens bombas” que surgem do nada … a única coisa que percebemos são os estragos que eles fazem em nossas mentes

     Iludimo-nos o tempo todo com falsas respostas para os nossas questões de ordem pessoal, principalmente aquelas que nos afligem no âmago do ser. Não é o que fazemos negando realidades … , é “fase” … E dessa forma protelamos a conversa que nunca teremos conosco mesmo e com quem quer que seja, pois tudo é fase … Falta-nos implicação consigo mesmo (aqui corrijo:conosco mesmo) no confronto real, isto é, entre as suas realidades e os processos assertivos disponíveis para vencer a auto sabotagem. Como fazer para alcançar um vôo mais alto no crescimento pessoal? Precisamos elaborar melhor a nossa auto imagem. Quem sou eu ? O que estou fazendo comigo mesmo, todos os dias da minha vida? Não adianta ficar juntando os pedacinhos que sobrou de você mesmo nos acidentes da vida.      (……)

     … Curta a viagem da vida, que pode ser maravilhosa! Só depende de você e mais ninguém.”

     Depois das aspas, fala o papai: Você deve estar perguntando: porquê o meu pai veio com isto? Do que ele está falando?

     Respeitável Filha, estou falando da sua capacidade de ultrapassar o nervosismo, do “auto terrorismo” ou “auto sabotagem ” que poderá estar trazendo ansiedade e outras alterações, afligindo o seu íntimo e afetando a sua tranquilidade que é necessária na hora da apresentação do trabalho. É preciso subjugar o Judas Iscariotis (assim que é no latim!) e, com um bom exame de alter ego, verificar, acertadamente, que a sua capacidade e conhecimento deverão estar acima de qualquer “capetinha” que fica no seu ombro esquerdo   (até após a Idade Média, acreditava-se que o lado esquerdo (sinistra) – o canhoto – era dominado pelo Demo, por isto castigavam a criança e a forçavam ao uso da mão direita… Eu mesmo sofri com a luvinha na mão …). Ouça o anjinho que fica no seu ombro direito (“meu zeloso guardador …”), mandado por Deus para cuidar e proteger você.

      Chegada a hora, “Vá vencer na vida! O futuro é teu!” Lembra de “olhar acima das cabeças e o papel não vai fazer a sua mão tremer” (Já falou sobre como estar no palco, o grande ator Murilo!). Enfrenta e vença! Deus está contigo, sempre.

      Com o amor e admiração do Paaaaiiiiiiiiii.

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153

cento e cinquenta e três.

153.

1-5-3.

esse é o número de páginas da minha dissertação de mestrado.

e esse é 401º post nesse blog.

sobre morar em Niterói e morar em Brasília

quando moro em Niterói, meus pés são o principal meio de transporte. quando moro em Brasília, meus pés são as quatro rodas do meu carro.

quando moro em Brasília, o céu é azul todo dia. quando moro em Niterói, o céu muda de cor todo dia.

em Brasília ou em Niterói, o céu tem várias cores todos os dias.

quando moro em Niterói, a umidade me faz espirrar. quando moro em Brasília, o clima seco faz o nariz sangrar.

quando moro em Brasília, não preciso lavar o cabelo todo dia. quando moro em Niterói, é muita oleosidade, muita agonia.

quando moro em Niterói, quero aproveitar pra passear. quando moro em Brasília, a minha vida é só estudar.

quando moro em Brasília, OS X. quando moro em Niterói, Windows.

quando moro em Niterói, UFF. quando moro em Brasília, Clio.

quando moro em Brasília, as quatro estações do ano acontecem em um dia. quando moro em Niterói, as estações se confundem em vários dias.

quando moro em Niterói, TV. quando moro em Brasília, biblioteca.

quando moro em Brasília, me sinto livre em meio a tanto verde, mas sinto falta de praia. quando moro em Niterói, não dou bola pra praia.

quando moro em Niterói, banho. quando moro em Brasília, água.

quando moro em Brasília, não se fala em quarteirões – se fala em quadras. quando moro em Niterói, falo de ruas.

quando moro em Niterói, acordo cedo porque eu quero. quando moro em Brasília, acordo cedo porque preciso.

quando moro em Brasília, me falta tempo pra tudo. quando moro em Niterói, também.

quando moro em Niterói, vejo prédios altos demais. quando moro em Brasília, acho os prédios pequenos demais.

quando moro em Brasília, vejo uma cidade organizada demais. quando moro em Niterói, acho que a cidade precisava de mais organização.

quando moro em Niterói, os prédios são altos, fazem sombra, cortam o vento. quando moro em Brasília, os prédios são horizontais demais.

quando moro em Brasília, tudo é muito longe, e 3km é perto. quando moro em Niterói, 3km é longe, e tudo é muito mais perto.

quando moro em Niterói, tomo café fresco. quando moro em Brasília, tomo suco.

quando moro em Brasília, faço compra de mercado. quando moro em Niterói, já tem tudo no armário.

quando moro em Niterói, sou filha. quando moro em Brasília, sou mulher.

quando moro em Brasília, me dá saudade de Niterói. quando moro em Niterói, me dá saudade de Brasília.

vamos pular essa parte

“Letícia, você sumiu de novo!” é, eu sei, mas vamos pular essa parte.

ou não.

porque, se eu tô sumida, é porque estou consumida. pelo deslocamento no trânsito, pelas aulas no Clio, pela dissertação sem fim.

hoje é o segundo dia nesta semana que eu falto aula por causa da dissertação, e também porque tô pifando. sabe lâmpada quando quer queimar mas não queima de uma só vez? então.

falando em lâmpadas, comprei lâmpadas novas pra casa ontem, habemus luz!

a sensação de sobrecarga tá grande demais. mesmo! sinusite atacou, pressão baixou, cabeça doeu, corpo reclamou, e eu tô com torcicolo.

eu não sei onde eu tava com a cabeça quando achei que ia ser tranquilo dar conta de acabar a dissertação e o mestrado fazendo cursinho.

vamos pular essa parte.

quero força pra acabar logo de escrever! meu Deus, me dá força! meu Deus, me dá sabedoria pra que eu saiba que acabei! meu Deus, não me deixa ficar inventando novas coisas pra escrever numa dissertação que já tá enorme! aí depois o Senhor me ajuda pra continuar forte e estudando pro concurso!

vou comer uns tomates.